O MPLA, o “código de conduta” e os “anónimos”

Considero, no mínimo, ridícula a ideia do MPLA elaborar um «Código de Conduta» destinado aos seus Militantes nas Redes Sociais (RS). A iniciativa, não só fere a liberdade de pensamento e de expressão, como também revela a quantas anda a tão propalada democracia interna e o «livre» debate de ideias no seio dos «camaradas» …
Creio que a maior preocupação que norteou a criação desse instrumento «intimidatório» visa proteger a imagem dos detentores de cargos públicos e dos dirigentes do partido governante das críticas dos militantes do seu partido…
Um «Código de Conduta» nesta fase do «campeonato», em que sociedade exige mais abertura e transparência das instituições e de gestão da coisa pública, pode ser entendido como uma tentativa para «controlar o pensamento» dos militantes do partido: o que eles devem ou não pensar ; o que devem ou não escrever nas redes sociais, o que legal e que imoral, como se todos estivessem sob a vigilância de um «Big Brother», no caso o PARTIDO, que tudo vê e regista …
Presumo que o próprio SG do MPLA sabe, se não sabe deveria saber que muitos militantes que hoje comentam nas redes sociais são Militantes, Membros e Simpatizantes do seu partido que o fazem sob Anonimato, porque imperam há «séculos» no seio dessa formação política a Mordaça e a Cultura do Medo, e, por arrasto, o receio da perda de privilégios e de ascensão social, o que leva muitas militantes à falsidade ao fingimento.
À falta de espaços de debate, de liberdade de pensamento e de expressão, os militantes optaram por agir na «clandestinidade/anonimato», tal como alguns faziam durante o período da opressão colonial, salvo as devidas distâncias e o exagero.
Se Paulo Kassoma sabe, se não sabe deveria saber que alguns militantes, dirigentes e governantes do MPLA, à falta de «ar puro» para difundirem as suas ideias, têm sido desde há muito as principais fontes de informação que alimentam os jornalistas, sobretudo os da imprensa privada que divulgam as verdades incómodas, embora, reconheça-se, em alguns casos com doses «industriais» de sensacionalismo.
Que é necessário disciplinar, responsabilizar criminal e civilmente os usuários das redes sociais que se socorrem destes instrumentos para ferir a honra e a dignidade dos outros, disso não tenho a menor dúvida.
Em meu entender, muitas dessas situações desagradáveis que hoje assistimos resulta da «lei da rolha», do «asfixiamento» da imprensa pública que durante décadas foi usada como uma caixa de ressonância do partido no poder, como difusor de mentiras e hipocrisias. Numa palavra, a imprensa pública entrou no descrédito, daí o ascendente da imprensa privada e das redes sociais, com as suas verdades e mentiras.
Na realidade, já existe legislação mais do que suficiente para responsabilizar os difusores de calúnias e difamações das redes sociais, pelo que os «Códigos de Conduta» só irão empurrar mais militantes para o anonimato/clandestinidade, com todas as consequências negativas daí resultantes… Mais do que accionar os meios intimidatórios, o partido governante deve proporcionar mais espaços de debate e de verdadeira democratização no seio dos seus militantes, assim como despartidarizar e permitir mais abertura dos órgãos de CS estatais. Quanto mais verdades, ainda que incómodas, os órgãos da imprensa pública divulgarem/revelarem mais o público irá acreditar neles e desacreditar as «fake news» que são divulgadas nas RS, muitas delas sem rosto…

Por: Ilídio Manuel |Facebook

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