Ontem Isabel dos Santos despediu-se da Sonangol ao que tudo indica a contragosto – afinal, sempre manifestou a intenção de exercer o mandato até ao fim -, mas hoje cumpriu mais uma etapa de um “sonho” nascido há quase 15 anos. Trata-se do lançamento da marca de cerveja angolana “Luandina”, produzida pelo grupo Sociedade de Distribuição de Bebidas de Angola (SODIBA), que detém em parceria com o marido, Sindika Dokolo.

“Foi muito difícil, foi um caminho longo, duro. Tivemos que convencer vários parceiros, tivemos que convencer a banca, principalmente a banca comercial, a acreditar no nosso sonho, em acreditar que era possível lançar uma marca 100 por cento angolana, quando havia tanta importação, tanto produto importado, e que havia ainda espaço para uma nova indústria em Angola. Mas aqui está”, disse hoje a empresária, em declarações à agência Lusa.

O projecto, concretizado com a instalação de uma fábrica na comuna do Bom Jesus, no município de Icolo e Bengo, representou um investimento de 100 milhões de dólares, inaugurado há quase um ano com a produção da cerveja portuguesa Sagres.

Para além de destacar a importância do projecto em termos pessoais, a ex-PCA da Sonangol sublinhou a relevância dos seus investimentos privados para a economia nacional.

“Durante os últimos 20 anos da minha carreira, eu tenho trabalhado bastante, tenho empreendido bastante, tenho criado vários empreendimentos, várias empresas e acredito que até hoje tenho criado mais de 40.000 empregos. Todos os anos, através das actividades que faço, eu crio em média 1.000 empregos por ano, no mínimo”, frisou Isabel dos Santos, em declarações aos jornalistas, prestadas à margem do evento.

A mulher mais rica de África garantiu também que deixa a Sonangol de consciência tranquila.

“A minha missão na Sonangol foi uma missão muito específica. Como sabem, quando eu entrei, em 2016, a empresa estava num estado de pré-falência. A situação era muito, muito crítica, praticamente não havia dinheiro para pagar salários, para pagar fornecedores”, assinalou a gestora, questionada pela Lusa.

“A minha missão era realmente reequilibrar as contas da empresa. Acredito que a minha missão está cumprida, hoje ela já tem as contas mais equilibradas e inclusive já pode pensar no seu futuro desenvolvimento e em novos projectos de investimento”, afirmou a primogénita do ex-Presidente José Eduardo dos Santos.

A empresária garantiu ainda que se houvesse outro desafio do género, “possivelmente” não diria que não.