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Guardado não serve nem para guardar arvores da cidade?

Benguela tornou-se numa “mbwanja”, qualquer um faz o que lhe apetece. Não há autoridade. O novo administrador foi engolido. Não tem peso par suportar a pressão dos interesses económicos que gravitam sobre a cidade. É uma folha seca atirado ao deserto e caminha ao sabor do vento.  Os oportunistas assumiram o comando da “Cidade Mãe das Cidades”.

Neste domingo, 26, os munícipes testemunharam um dos maiores crimes ambientas. Duas arvores (mulembeiras), símbolos da cidade foram deitadas abaixo. Foi um duro golpe ao pouco património que ainda resta. Os apetites mercantilistas soaram mais alto e colocaram no bolso as autoridades. “A execução sumária das duas arvores seculares” aconteceu a luz do dia. Na plateia e com acesso vip estiveram os fiscais da administração municipal. Assistiram tudo de perto, mas nada fizeram. Foi um cenário triste. Viu-se um poder secundarizado sem acção e completamente subjugado. Todos os munícipes testemunharam.

No local, lá esteve a rádio Benguela para levar a quem queria ouvir. Os dois repórteres presentes tentaram narrar o ambiente que se vivia na altura. Mas longe de advogar o interesse coletivo, um deles parecia mais ser porta-voz dos autores do derrube. Tentava justificar o injustificável. Foi uma jogada combinada. Tudo estava entre amigos, o condutor do programa, por sinal chefe de produção da estação pública, tentava rumar contramaré. Até chegou a assumir o compromisso de vir a entrevistar na segunda-feira as autoridades do município.

Que entrevista que quê? Não houve nem se quer uma nota em todos os serviços de informação. Foi mais uma prova das muitas queixas que se fazem sobre a rádio de Benguela de estar a ser gerida por “micheiros”. Basta ter dinheiro para controlar os seus responsáveis. A estação sustentada pelo dinheiro de todos nós, deixou de servir os interesses colectivos. Foi uma vergonha. Calaram-se por completo diante de um crime ambiental.

Não há justificação capaz de convencer. Fala-se que o derrube das duas arvores deveu-se a razões de segurança, já que as mesmas se encontravam bastante velhas, pelo que representavam um perigo para quem frequentava o local.

Mas a quem diga o contrario. O novo dono do restaurante Tropical, local onde estavam as arvores, um jovem empreendedor, Anselmo Mateus pretende dar uma outra imagem ao sitio, mais moderno e mais atrativo. As arvores eram um obstáculo para o que desenhou para o local.

Administração municipal de Benguela, segundo informações deu respaldo ao derrube. O dono, Anselmo Mateus, uma figura com influência e amizade junto do poder, conseguiu convence-los e obter a licença para o crime ambiental. Houve cumplicidade.

Entretanto, esta acção surge numa altura a administração municipal de Benguela, amando do seu responsável máximo, Carlos Guardado, demoliu um atelier a pretexto de ter sido erguido em zona proibida, em consequência uma dezena viu a sua fonte de sobrevivência cortada.

Comparando as duas situações vê-se que Guardado veio a Benguela para guardar os interesses dos seus amigos e de uma elite, jogando para o caixote de lixo os interesses da maioria dos habitantes do município. Esqueceu-se que os tempos são outros. O poder é do povo.

Quem não serve os interesses da população não está à altura de ocupar lugares públicos. Não há duvida que Benguela não é mesmo para guardado. Se tiver o mínimo de senso e humildade demita-se. Benguela não precisa de governantes fracos.


Por: Domingos Francisco

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