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Governo atira para “corredor da morte” mais duzentos pacientes em Benguela

Enfermeiros em greve reclamam seis meses de salários em atraso

Duzentos e vinte pacientes com insuficiência renal crónica, em tratamento nos centros de hemodiálise de Benguela e Lobito, têm a vida em risco por falta de assistência desde a manhã desta segunda-feira, 13, devido a uma greve de enfermeiros que estão sem salários há 6 meses.

Sem medicamentos, os centros, sob gestão de uma entidade privada, alertam para a iminência de mortes dentro de 72 horas e lamentam que o Estado não esteja a cumprir as suas obrigações.

Há mais de um ano longe da Huíla, sua terra natal, o cidadão Rui Rodrigues não fez a primeira de três sessões semanais de limpeza do sangue, uma vez que os aparelhos, os chamados rins artificiais, se encontravam fora de serviço.

‘’O que nos resta da vida, ao invés da hemodiálise, é comprar uma urna cada um dos pacientes e regressarmos às nossas províncias dentro delas. O Governo tem dinheiro para festas e outros eventos, mas não paga às pessoas que trabalham. Há medicamentos, que também já não existem há quatro meses, que temos de tomar por intermédio das máquinas’’, sublinha Rodrigues, quem fala em retrocesso no tratamento após ter voltado a andar.

Lourdes Freitas, familiar de um dos pacientes, mobiliza um grupo que pretendia chegar à sede do Governo Provincial de Benguela.

“É para que resolvam o problema desta clínica e para que não matem mais de 200 pessoas. Se assim for, podem começar já a dar urnas às famílias. Nós vamos até às últimas consequências’’, ressalta.

Joana Culembe, que faz parte do grupo de enfermeiros grevistas e também é paciente, alerta para a existência de doentes com falta de ar.

“São vidas , nem que tenha de haver uma intervenção do Presidente João Lourenço. Temos pacientes no corredor que estão com dispneia, daqui a 24 horas poderão surgir muitas mortes’’, adverte a técnica de saúde.

Preocupado também com a falta de meios, o nefrologista Alcides Tomás, director em exercício do Centro de Hemodiálise de Benguela, que existe há já cinco anos, reforça o apelo ao Ministério da Saúde com números impressionantes.

“Se eu coloco o paciente em tratamento sem avaliar a qualidade da água, posso matar mais de 26 pessoas de uma vez, daí a chamada de atenção às entidades superiores. São na sua maioria pacientes crónicos, se não fizermos a limpeza que permite eliminar substâncias tóxicas os pacientes evoluem para óbito’’, explica Tomás.

A VOA não conseguiu obter a reacção do director do Gabinete Provincial de Saúde, Manuel Cabinda.

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