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Falta de sexo? É isto que os especialistas aconselham aos casais

A falta de sexo apanha muitos casais desprevenidos. Há o trabalho, cansaço acumulado, muito stress. Os filhos, o desencanto, as rotinas. Porém, contrariar esta falta de vontade não exige nada de complicado. Apenas guardar tempo na agenda para largar os afazeres e expressar o amor que os une.
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    Quando a vontade já não é tão espontânea como antes, planeie os momentos e faça-os acontecer. A imaginação é um recurso essencial nesta matéria.

Texto Ana Pago | Fotografias Shutterstock

Paula Santos, comercial de 39 anos, tem saudades do tempo em que só lhe apetecia agarrar o namorado pelos cantos. «Por muito tarde que viéssemos do trabalho, por maior que fosse o cansaço, havia sempre pica para namorarmos a toda a hora», conta, algo nostálgica ao lembrar uma vontade que hoje lhes falta. «Parecíamos miúdos, até nos ríamos disso. Chegámos a fazer sexo num vão de escada, era incrível.»

Fartaram-se de jurar um ao outro que com eles ia ser sempre assim – não ficariam enferrujados como tantos casais que conhecem. Como podiam deixar de se querer com aquele fogo? Após 13 anos de relação, porém, casados há oito, com dois filhos pequenos, aconteceu: o sexo ainda era incrível, mas raro. Foi quando decidiram agendá-lo, como agendam a ida semanal ao cinema e ao hipermercado, que a coisa melhorou significativamente.

A vontade de ter sexo com o parceiro vai-se perdendo se não nos acautelarmos.

«Querer tocar o parceiro, senti-lo, prová-lo, são qualidades que se vão perdendo se não nos acautelarmos», confirma a psicóloga e coacher sexual Cristina Mira Santos. A espontaneidade funciona bem em relações recentes e nos filmes, depois há que treiná-la para não morrer. «Às vezes, quando me procuram, as relações estão tão deterioradas que pouco ou nada há a fazer. O ideal é agir antes de chegar a este ponto e aqui, sim, agendar tem o seu potencial.»

Por muito fria que a palavra pareça, ritualizar pode conduzir a um envolvimento mais profundo, concorda Paula Santos, que assim reaprendeu a querer entregar-se ao marido (e ele a ela). «Pelo menos uma vez por semana, deitamos os miúdos mais cedo e tiramos a noite para nós, para mantermos o sexo em dia», explica. Já sucedeu deixarem os filhos com os avós e marcarem encontro num hotel como perfeitos desconhecidos, mas por norma nem precisam de ser tão ousados.

«Qual é o casal que fica três minutos a olhar-se nos olhos, a sintonizar-se com o outro, e não tem logo vontade de lhe pôr as mãos em cima?», aplaude a coacher sexual Cristina Mira Santos.

Lá está: por vezes, só precisa de reservar esse tempo de intimidade para fintar a monotonia e apimentar a relação. «Daí à vontade de se tocarem, se por acaso ela já não surge tão espontaneamente como no início, vai um instante», diz a especialista, para quem um casal pode ativar a energia erótica simplesmente trocando olhares.

Há uma fase de lua-de-mel no início da relação. Depois tem de ser regada.

Desentendimentos em relação ao sexo são inevitáveis com o tempo, mas não significam o fim, concorda a investigadora Jessica Maxwell, do departamento de Psicologia da Universidade de Toronto, Canadá, que coordenou um estudo sobre a felicidade sexual em relações longas.

«Há uma fase de lua-de-mel, nos dois ou três primeiros anos da relação, em que a satisfação sexual é grande. A partir daí tem de ser regada e nutrida como um jardim para se manter», aponta, sublinhando que tudo o que vale a pena dá trabalho.

E não, não precisam de andar às cambalhotas todos os dias. «Se o casal é feliz tendo sexo uma vez por semana, então perfeito», ressalva Cristina Mira Santos. Só existe problema se um dos dois estiver insatisfeito com essa dinâmica. «Porquê reduzir o sexo a uma penetração desinteressada, em que muitas vezes apenas o homem sente prazer?», questiona. Às vezes, diz, um bom abraço já traz aquilo de que vamos à procura no envolvimento sexual.

Agendar pode conduzir a um envolvimento mais profundo, garantem os especialistas em relações.

«O ritual serve para gerar bem-estar, não exige nada de complicado. Apenas guardar algum tempo na agenda para largar os filhos, os afazeres, e expressar o amor que une o casal», desmistifica a coacher.

Entretanto podem ir variando nos locais, nos alimentos, nas posições, nas brincadeiras, em quem prepara – espreite algumas dicas na nossa fotogaleria. «Criem um encontro diferente a cada mês e elevem-se nele. O melhor sexo do mundo é o que nós próprios fazemos. Assim haja tempo e vontade para redescobrirmos essa capacidade.»

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