Os “ventos sopradores” são, por parte da opinião pública, sinais de se pretender corrigir o que sempre esteve mal na imprensa nos 38 anos de poder do presidente emérito José Eduardo dos Santos, mas, na verdade, não passam de ventos que só pretendem manter acesa a lareira dos discursos do costume até 2022.

Fontes bem posicionadas no mundo do jornalismo confirmaram-me que a instrução de uma (pseudo)abertura na comunicação social, como frisou o Presidente da República no discurso de tomada de posse, é meramente circunstancial e não um imperativo de se cumprir, pela primeira vez, a Constituição e a Lei de Imprensa em Angola.

A título de exemplo, as fontes garantem que a “Grande Entrevista” ao Presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Adalberto Costa Junior, ao Jornal de Angola, com o título “A UNITA defende a eleição directa do Presidente, no dia 26 de Outubro deste ano, assinada pela jornalista Adelina Inácio, não passa de uma entrevista para manter acesa a lareira de João Lourenço (o homem aparentemente do momento).

Benedito Daniel, Presidente do Partido de Renovação Social (PRS), foi igualmente destacado no Jornal de Angola, em mais uma “Grande Entrevista”, por sinal, com a mesma jornalista (Adelina Inácio) exactamente hoje (1 de Novembro), com o título “PRS quer legislação contra corrupção”, como uma tentativa de o Jornal de Angola mostrar que está a cumprir caninamente as ordens de JLo e, portanto, mostrar à sociedade que estamos diante de uma nova Angola, quando tudo não passa de uma falsa abertura.

A prova de que a (pseudo)abertura na imprensa é circunstancial – para favorecer claramente a imagem do MPLA e de João Lourenço – prende-se, entre outros factos em minha posse, na entrevista de Adalberto CostaJúnior ao Jornal de Angola. Todas as respostas do entrevistado, que apontavam supostos factos negativos do Presidente da República, João Lourenço, foram completamente censuradas, ou seja, não foram escritas pela jornalista, como se nunca tivessem existido.

Na referida entrevista, procurou-se dar primazia a aspectos que não colocam em xeque a honestidade intelectual de JLo. ACJ disse, por exemplo, na sua análise sobre a postura actual de João Lourenço, que o Presidente da República está a trazer uma política de continuidade perigosa num regime “bicefalicista”.

O líder parlamentar da UNITA defendeu, nas linhas inexistentes, para Angola ler no JA, que João Lourenço estará a colocar a Constituição da República de Angola (CRA) abaixo dos estatutos do MPLA, quando cumpre linearmente ordens de seu chefe JES, cujas orientações do Bureau Político representam um atentado ao Estado Democrático e de Direito.

Adalberto Costa Júnior disse também na entrevista, cujas linhas ficaram nos segredos dos Ribeiros, que João Lourenço não terá autoridade moral para cumprir o que promete por ter comprado votos a seu favor durante a campanha eleitoral e ter fugido aos debates com outros concorrentes à presidência. Costa Júnior disse, na entrevista gravada, que João Lourenço não tem legitimidade política para governar o país. Nada disso foi escrito na tal “entrevista de abertura” que muitos analistas políticos e jornalistas a intitulam como “sinais de novos tempos”.

São velhos os embustes a que assistimos no reinado de JES e tudo indica que estamos, para não variar, perante os embustes do costume para fazer a opinião pública acreditar que temos uma nova Angola e, com isso, dar votos ao MPLA, quando se continua como no passado: em 38 anos no poder, nunca José Eduardo dos Santos foi alvo de críticas na imprensa pública. O extraordinário é que hoje é o próprio sucessor de JES que diz que a imprensa precisa de aceitar críticas. Já houve críticas que não foram aceites no Jornal de Angola, senhor Presidente! Foram claramente apagadas.

Recordo-vos que se estivéssemos numa nova Angola, como muitos nos tentam fazer ver de olhos fechados, cumpriríamos pressupostos legais. O direito de igualdade perante a lei e mediante a lei (a não discriminação estabelecida nos art. 22.º e 23.º da CRA) é um imperativo constitucional. Assim como o é o direito de participação na vida pública – exercício de cidadania –, embora seja um político não deixa de ser cidadão angolano (art. 52º da CRA) e os direitos à liberdade de expressão (art.40º da CRA) e liberdade de imprensa (art. 44.º da CRA).

Se “baixarmos legalmente” a minha análise que me faz aferir que estamos diante de uma “falsa abertura na imprensa pública”, e não só, é só vermos que estamos claramente diante de um atropelo à Lei de Imprensa no que se refere ao Interesse Público (art.10º) e do “Conteúdo de interesse público” (art.11º). As alíneas b) e c) deste artigo dizem que a informação veiculada nos órgãos de comunicação social devem ser verdadeiras, independentes, objectivas, com isenção e imparcialidade, sobre todos os acontecimentos nacionais e internacionais, assegurando O DIREITO DOS CIDADÃOS À INFORMAÇÃO CORRECTA, IMPARCIAL E ISENTA. Dizem também, as alíneas, que a informação veiculada ao público deve assegurar A LIVRE EXPRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA E DA SOCIEDADE CIVIL.

Portanto, estamos perante indicadores que me levam a crer que existe uma falsa abertura de João Lourenço, ou seja, a nossa imprensa pública nunca vai veicular matérias de Interesse Público, que coloquem em causa a governação e honestidade intelectual do Presidente da República, ponto final parágrafo.

“Outronão”, os ventos da lareira de JLo indicam que a Rádio Nacional de Angola (RNA), Televisão Pública de Angola (TPA) e TV ZIMBO pretendem seguir igualmente “as ordens superiores” para elaborarem (sem aspas) “Grandes Entrevistas” (com aspas) com líderes da oposição com o sentido de se mostrar uma abertura – na verdade, falsa! – ao público e, com isso, darem votos de esperança ao povo angolano, fazendo-nos crer que se está a construir uma nova Angola, quando tudo não passa de acções direccionadas para o “angolês” ver lareiras lourencianas aparentemente acesas.

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