Hoje, todo o jornalista, todos os “intelectuais” já estão a escrever, já estão a falar abertamente sobre coisas negativas do Governo sem medo de sofrer retaliação. Quando alguns o faziam no tempo de José Eduardo dos Santos, eram chamados de “frustrados” ou “da oposição – UNITA – Kwacha”.

Fico realmente admirado com os nossos intelectuais em Angola. São, de facto, extraordinários. As páginas do facebook hoje já estão “lindas”. É impressionante! Só criticam quando o chefe autoriza?! Agora que o Presidente da República “autorizou” uma comunicação social que seja capaz de criticar o “Executivo”, já aparecem greves dos sindicalistas, casas destruídas nas televisões, já se abre noticiários sem “O Presidente da República fez e desfez”?! Que evolução à velocidade da luz!

Se o chefe mandar engravidar as suas esposas também vão fazê-lo?! Se o Presidente da República acordar mal disposto e disser que (des)diz o que disse, vão também (des)dizer o que disseram ontem ou vão fazer isso (a contradição) uma notícia?! Seriam capazes de abrir um noticiário com uma contradição de João Lourenço?!

São esses os intelectuais angolanos?! São esses os que estudaram?! São esses os nossos jornalistas?! Onde andaram no tempo de José Eduardo dos Santos, que não foram capazes de fazer um jornalismo que pudesse criticar o que esteve mal?! Refugiaram-se na famosa “linha editorial”?! E hoje já não há linha editorial ou as “linhas editorias” dependem da vontade do chefe?!

Onde andaram os nossos comentadores nas rádios, TV e jornais, que não foram capazes de enxergar o que está mal desde 1975 para que se pudesse corrigir muito antes de 2017?! O estudo tinha desaparecido das suas cabeças?!

Um intelectual que não é escravo da sua consciência é só alguém com diploma. Um intelectual que não é honesto é só alguém com diploma. Um intelectual que não tem dignidade é só alguém com diploma. Não é intelectual. Não podemos chamar “intelectuais” às pessoas pelo simples facto de fazerem uma universidade, mesmo que tenham sido os melhores alunos! Uma coisa é teoria e outra é a prática. A prática é o critério da VERDADE. O intelectual deve ser visto pelo seu modo de vida. O que define o seu modo de vida é a sua CONSCIÊNCIA. Intelectualidade é CÉREBRO. Não é diploma.

Em Angola, temos muitos “formados” (com as devidas aspas), mas poucos intelectuais. Os intelectuais noutrora sempre foram tidos como malucos e “da oposição- UNITA”. Sempre foram marginalizados pelas maiorias. Eu sempre disse, noutros artigos de opinião – que inclusive ditaram a minha expulsão da LAC (Luanda Antena Comercial)! – que nós tínhamos de ter uma surpresa nas eleições deste ano para podermos ver quem é quem. Não houve mudança de partido, mas houve mudança de discursos.

O engraçado é que os nossos “intelectuais” concordam sempre com os discursos. José Eduardo dos Santos estava sempre certo. João Lourenço está sempre certo, mas já (des)dizem o que disseram no passado e o estranho é que são sempre promovidos!

Hoje, já temos muitos intelectuais ou estão só a seguir o que João Lourenço mandou?! Se João Lourenço acordar amanhã e disser outra coisa, seriam capazes de o criticar publicamente ou são “intelectuais” de contextos?! Deixo o desafio!

Por: Carlos Alberto (Jornalista)|FACEBOOK

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