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Huambo: a morte lenta de uma cidade que quer ser ecológica

Vergado ao peso da bota militar de um general, o perímetro florestal do S. João, um dos «pulmões naturais» do Huambo, sucumbiu para dar lugar ao betão armado… Ou, melhor, para acomodar os interesses mercantilistas de uns quantos novos-ricos… 

Por: Ilídio Manuel |Facebook

A alguns quilómetros deste local, outro pulmão de maiores dimensões morre a cada dia que passa. No perímetro do Sacaála, com uma extensão de mais de 200 hectares, assiste-se diariamente à morte de dezenas/centenas de árvores, atiradas ao solo à força de golpes de machado. Indiferentes aos crimes ambientais, os negociantes de madeira e do carvão vegetal correm a mesma velocidade com que tombam as árvores…
No centro da cidade, faz anos que o betão armado invadiu à estufa-fria para dar lugar à construção de um pavilhão gimnodesportivo.
A sete dezenas de quilómetros deste local, no perímetro florestal do Cuima, árvores gigantes com vários anos de vida, tombam diariamente sob ordens castrenses, num negócio de contornos escusos que envolve a parceria de um antigo corredor de fundo do atletismo que, ávido em fazer fortuna sem grande esforço, decidiu trocar de pistas… O cenário de morte dos «pulmões naturais» repete-se em Sanguende, no município do Cachiungo.
À memória surgem-me imagens dramáticas do deserto Sahel, de espaços outrora aráveis, mas que devido à exploração irracional e à ambição desmedida dos homens, deram lugar à seca, à aridez de solos e à morte.
Com a morte silenciosa dos perímetros florestais criados para travar os ventos, a erosão de solos e assegurar o equilíbrio ambiental, o Huambo morre também a cada dia que passa. Os criminosos ambientais não só roubam/assassinam o presente dos habitantes daquela parcela do território, como também o futuro das gerações vindouras.
Os crimes ocorrem em plena luz do dia, de forma impune, numa urbe onde algumas vozes gritam até à exaustão que pretendem transformar o Huambo em «Cidade Ecológica» … Dá para reflectir!

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