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Dia internacional da menina: “Manga de 10” ou Mulheres para o futuro?

Em 2012 foi celebrado o dia internacional da menina pela primeira vez, data declarada pela organização das Nações Unidas. Hoje, comemoramos o 6.º aniversário.

“A celebração marca os progressos realizados na promoção dos direitos das meninas e mulheres adolescentes e reconhece a necessidade de se ampliar as estratégias para eliminar as desigualdades de género em todo o mundo. Essas desigualdades incluem o acesso e o direito à educação, à nutrição, aos direitos legais e a cuidados médicos, e a protecção contra discriminação, violência e casamento infantil forçado.”

O que é ser menina em Angola?

Numa sociedade como a nossa, onde o preconceito, a discriminação, o machismo e outras crenças culturais são moldadas a ferro e impostas no seio familiar, nos círculos de amigos e pela pressão social em geral, as meninas constituem um dos grupos mais vulneráveis e propensos a todo o tipo de abusos.

Em termos académicos, e por termos uma grande parte da população em meios rurais, e aqueles que vivem em meios urbanos subjugam-se as crenças das zonas de origem, a prioridade é dada as crianças do sexo masculino em detrimento das meninas, que em muitos casos são encarregues das actividades domesticas e lidas da casa. As próprias mães, por viverem essa cultura, cultivam a ideia das meninas para um futuro cujo objectivo é obter “um bom casamento” deixando de parte a afirmação e alcance de objectivos pessoais por parte das crianças.

Outro factor que mina o futuro das nossas meninas é a sexualização da imagem das crianças e a pressão para um crescimento precoce, em que as crianças são “obrigadas” a “queimar as etapas naturais do crescimento”, deixando muito rápido as ideias das bonecas e das musicas infantis, aderindo a sexualização e materialização social, aderindo às “brincadeiras” de adolescentes, aos comportamentos de risco, o que em muitos casos conduz à gravidez precoce.

Grave é também a corrupção moral e material promovida pelos adultos que procuram os serviços sexuais das menores, aliciando com bens materiais, e expondo-as de forma a promoverem a sua masculinidade, através das expressões “catorzinha” ou “manga de 10”, destruindo sonhos e futuros e mesmo propagando doenças sexualmente transmissíveis aproveitando-se do desconhecimento das crianças. Neste ponto, referimos também a pedofilia, crescente e noticiada, que se alastra no nosso país, praticada por familiares chegados ou amigos/vizinhos.

Como se vê, são desafios e ameaças que as nossas meninas enfrentam, necessitando do apoio e protecção familiar, social e legal para um crescimento igualitário e são, para que se tornem mulheres fortes e poderosas promovendo o equilíbrio social.

“Conclamamos os governos, as organizações da sociedade civil, a iniciativa privada, os grupos baseados na fé e a comunidade internacional a acelerarem seus esforços para:

• Aumentar a idade mínima de casamento das meninas para 18 anos;

• Melhorar a igualdade de acesso ao ensino fundamental e médio;

• Mobilizar meninas, meninos, mães, pais e líderes para mudar normas discriminatórias em termos de género e criar alternativas de oportunidades sociais, económicas e civis para as meninas;

• Ajudar meninas que já estão casadas fornecendo-lhes opções de estudo, serviços e informações sobre saúde sexual e reprodutiva, incluindo prevenção ao HIV, bem como habilidades para a vida e recursos contra a violência doméstica;

• Abordar as causas estruturais do casamento infantil, incluindo a violência contra meninas e mulheres.”

Anthony Lake (Diretor Executivo UNICEF), Babatunde Osotimehin (Diretor Executivo do UNFPA) e Michelle Bachelet (Diretora Executiva da ONU Mulheres)

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