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BCI fecha olhos a máfia das divisas e Crispim anda à solta

Existe uma espécie Omertá em torno da agressão ao empresário Carlos Alberto pelo gestor de empresas do Banco de Comércio e Indústria da cidade de Benguela, Crispim Castro Chibango, após ter sido denunciado de integrar uma suposta máfia de tráfico de divisas.

O gestor não gostou da ousadia do empresário em ter colocado a questão à gerência do Banco, partiu para agressão com objecto contundente tendo causado graves ferimentos na região da cabeça do empresário.

Passados três dias do sucedido, Crispim Castro Chibango anda à solta e em surdida vai gabando-se da surra que deu ao empresário, numa espécie de super-homem que está acima da lei. Ontem, terça-feira (10) exibiu-se normalmente no local de trabalho como se não tivesse atentado contra a vida de um pacto cidadão que apenas exigia transparência e uma conduta mais profissional.

Pessoas próximas ao banco garantem o à-vontade de Crispim está a acontecer perante um aparente código de silêncio da direcção regional do Banco de Comércio e Indústria, por sinal um banco público, que deveria velar em primeira instancia pelo Interesses Público.

Contactada pela nossa equipa de reportagem, a gerente da agência “mãe” do BCI, Guilhermina Carmelino Manso Dias, mesmo sem ter aceito gravar entrevista mostrou-se surpresa, tendo confessado que não dominava a ocorrência. Guilhermina Carmelino Manso Dias garantiu que logo que tomasse contacto com o processo concederia entrevista para explicar a versão do banco em relação ao assunto. Em sentido oposto estava um dos responsáveis do BCI em Benguela, cuja entidade não conseguimos apurar, que informou-nos que só concedia entrevistas mediante autorização da direcção central do banco, mas antes os jornalistas deveriam fazer uma carta expondo as questões que se pretendiam colocar.

O próprio acusado, Crispim Castro Chibango, filho de uma alta responsável do Comité provincial da OMA, Elsa Amado, manifestou interesse de dar à sua versão sobre o sucedido, mas furtou-se de em comparecer no local combinado para entrevista. O que alimenta a suspensão de haver uma solidariedade com trabalhador, abrindo igualmente suspensão de haver uma provável cumplicidade dos responsáveis do BCI em Benguela, no esquema de envio de divisas ao estrangeiro. Alias, o negócio das divisas tornou-se num dos mais lucrativos da actualidade em Angola, incetivado pela diferença acentuada entre a taxa de cambio oficial ditada pelo BNA e a praticada pelo mercado informal.

Enquanto isso, o empresário continua a espera que as autoridades façam a sua parte. Ainda assim, Carlos Alberto estranha que mesmo tendo apresentado queixa momentos depois do incidente os serviços de investigação criminal, ainda não notificaram o autor da agressão. O que abre igualmente suspeita da vítima de haver sinais de puder silenciar o caso, pelo autor do crime ser um indivíduo que tem familiar com alguma influência em Benguela. A ser verdade será um duro golpe a tão propalada igualdade de direito dos cidadãos perante a lei, numa altura em que a sociedade exige mais das instituições do Estado.

O advogado do empresário adiantou que a queixa apresentada tem elementos matérias para que o Ministério público venha a confirmar acusação sobre tentativa de homicídio, abuso de confiança entre outros, todos puníveis pelo código penal vigente no país com pena não inferior a oito anos de cadeia.

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