ulher espancada até à morte pelo marido na presença dos filhos

De acordo com Eva Manuel, filha da vitima, citada pela radio Luanda, o crime que resultou na morte da sua mãe aconteceu na sequência de uma briga entre o casal, situação que era comum nos últimos meses.

“A minha mãe encontrava-se doente há meses mas sofria constantemente de violência por parte do meu pai. Mesmo no estado em que se encontrava o pai batia sem medir as consequências”, contou.

Eva Manuel afirmou que durante a semana passada as cenas de violência no interior da residência foram constantes.

“Ele não queria saber quem estivesse ao lado. Na semana que passou o meu pai chegou embriagado, deixou-nos adormecer e fechou a porta e a janela do seu quarto e em seguida começou a bater na minha mãe. Nada pudemos fazer porque não conseguimos arrombar a porta e a janela”, explicou.

Segundo fez saber ainda a filha da vítima, no dia seguinte, quando os filhos tiveram contacto com a mãe, encontraram-na em estado grave.

“Chamamos os meus tios e levaram a minha mãe ao hospital Josina Machel (Maria Pia), onde chegou a receber assistência médica mas não resistiu devido à violência das agressões”, acrescentou a filha da vítima.

Perante este cenário, o Novo Jornal Online contactou o director provincial de comunicação institucional e imprensa do Ministério do Interior, intendente Mateus Rodrigues, que garantiu que o acusado se encontra detido numa das esquadras de Luanda.

“O caso está sob investigação. O acusado está detido desde que tomamos conhecimento do caso”, disse acrescentando que esta não é a primeira vez que a vítima sofreu agressões por parte do marido.

“Segundo informações que colhemos junto da família, esta não é a primeira vez que o mesmo agredia a mulher. Creio que desta vez a surra foi muita e por isso a senhora não resistiu”, aponta.

De acordo com dados do Centro de Aconselhamento Familiar (CAF) do Ministério da Família e Promoção da Mulher (MINFAMU), entre Janeiro e Agosto ouve um total de 842 crimes de agressões físicas contra a mulher registados no país, que representam os casos mais registados de violência doméstica.

Este é um problema difícil de mensurar porque a maior parte das situações não é registada pelas autoridades ou organizações devido à ausência de uma cultura de denúncia por parte das vítimas.

No entanto, no ano de 2014 a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico ou Económico (OCDE) emitiu um relatório sobre esta questão em Angola, sublinhando que 80 por cento das mulheres são vítimas de um qualquer tipo de violência doméstica.

O relatório do Índice de Género e Instituições Sociais da OCDE nota igualmente que a média de 108 países observados era de 30 por cento, em Angola esta taxa sobe para os 80 por cento, sendo ainda merecedor de nota negativa a questão da discriminação das mulheres quanto à tomada de decisões no seio familiar, no acesso a bens e ainda no âmbito da participação política.

Para referência na quantificação deste problema em Angola, pode-se ainda ter em linha de conta que só em Viana, no primeiro trimestre de 2016 a Repartição da Família e Promoção da Mulher registou cerca de 550 casos de violência exercida sobre mulheres em contexto familiar

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