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Trezentos mil preservativos distribuídos no Bié

O departamento provincial de Saúde Pública do Bié fez a distribuição gratuita de 300 mil preservativos nos primeiros seis meses do ano para combater a propagação de doenças como o HIV/Sida, a sífilis ou a gonorreia.

O chefe do departamento de Saúde Pública do Bié, Nelson Stover, informou que esta acção de profilaxia para com as doenças sexualmente transmissíveis incidiu com maior destaque nas camadas mais jovens.

O responsável sublinhou ainda, citado pela Angop, que a distribuição destes contraceptivos, feita quase em exclusivo nas zonas maioritariamente frequentadas pela juventude, como escoas, discotecas ou outros locais de diversão, e ainda nos mercados, aponta ainda à prevenção das gravidezes indesejadas.

Este programa de distribuição de preservativos faz parte da estratégia global das autoridades sanitárias da província para o combate às doenças sexualmente transmissíveis.

O Bié é uma das províncias onde a taxa de incidência do VIH/Sida tem registado aumentos, como o atestam os 633 novos casos detectados no primeiro semestre deste ano, contra menos de metade em 2016, apenas 233, o que levou também a que esta campanha tenha passado de uma média de 200 mil preservativos distribuídos nos seis meses para os actuais 300 mil.

Das campanhas em curso, Stover enfatiza a questão das campanhas de sensibilização que estão a ser conduzidas com o apoio de organizações da sociedade civil empenhadas no combate à Sida.

E também o apoio aos portadores da doença e respectivo tratamento.

A situação angolana e as dúvidas sobre os dados oficiais

Recorde-se que Angola tem oficialmente uma taxa de prevalência do VIH/Sida de 2,1 por cento, embora a Rede Angolana das Organizações de Serviços de Sida (Anaso) já tenha colocado em questão este número, apontando para uma taxa substancialmente superior.

Em declarações recentes, Teresa Cohen, presidente da Anaso, explicou que as dúvidas existentes quanto à taxa oficial do Sida em Angola resulta do número de mortes elevado que se regista com esta doença e pelo facto de não haver registos referentes aos locais mais recônditos do país, onde se estima que esta taxa seja significativa para esta análise.

“Porque nós sabemos que morrem muitas pessoas em Angola com o Sida e nós ainda não somos capazes de chegar aos sítios mais recônditos do país para o diagnóstico, aí onde a promiscuidade sexual existe”, disse a presidente da Anaso.

De acordo com os números do Instituto Nacional de Luta contra a Sida, há 300 mil pessoas, entre homens, mulheres e crianças, a viver com o vírus do Sida, o que corresponde a 21 por cento da população.

Mas esses dados oficiais não são corroborados pela Anaso, ONG criada em meados da década de 1990, que revela como estando infectados mais de 500 mil pessoas em Angola e que apenas 215 mil destas estão a ser acompanhadas e só 78 mil com acesso a medicamentação anti-retroviral.

Apesar de os números oficiais serem relativamente baixos tendo em conta as dúvidas, o Governo mostra estar consciente de que esta doença pode transformar-se num problema de proporções dramáticas caso não sejam tomadas as medidas necessárias.

Há alguns meses, o ministro da Saúde Luís Gomes Sambo, afirmou que a cobertura no país dos doentes com medicamentação apropriada está em metade do que devia, o que admite a possibilidade de novas infecções estarem a ser promovidas por esta via.

O que, no entender da Anaso, é actualmente o correspondente a 11 a 12 mil novos casos por ano, o que permite concluir que, por esta média, e atendendo à natureza exponencial desta pandemia, os próximos anos poderão “dramáticos”.

Outro factor de risco negligenciado nas estratégias de combate à doença é o do universo das prostitutas, onde os números apontam para uma taxa de incidência de 9 por cento, situação que pode ter aumentado nos últimos tempos devido ao acentuar da crise económica que o país atravessa.

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