Samakuva manifesta intenção de deixar a liderança da UNITA

Apesar da solidariedade que tem recebido de muitos militantes e das organizações de massas do partido, JURA e LIMA, na sequência da derrota nas eleições de 23 Agosto, Isaias Samakuva já manifestou, em privado, disposição de abandonar a presidência dos “maninhos”. O presidente da maior força política na oposição, que nas eleições passadas obteve 26,67% dos votos escrutinados, pode a qualquer momento dar por cessadas as suas funções.

Por outro lado, fonte do partido confidenciou ao Correio Angolense que Samakuva poderá também abdicar dos seus assentos no Conselho da República e na Assembleia Nacional. Para o seu lugar no parlamento iria Sediangani Mbimbi, antigo presidente do PDP-ANA que se “bandeou” para o “Galo Negro”.

Sem pôr de parte a pressão que vem de muitos militante e, até, da sociedade civil para que ele abdique do cargo após a derrota eleitoral, a fonte considera que a intenção de Samakuva nesse sentido não é nova. De resto, ele só terá permanecido até ao momento, persuadido por uma corrente de dirigentes dos “maninhos” que tem no presidente da UNITA o seu suporte na luta intestina que mantém com outra falange da organização.

Assim, por exemplo, a saída de Samakuva pode deixar enfraquecida na organização a posição de dirigentes que estavam muito mais próximos de Samakuva, casos de Adalberto da Costa Júnior, chefe da bancada parlamentar na anterior legislatura, e Cláudio Silva, um dos comissários na Comissão Nacional de Eleições. Os dois não são benquistos por determinados barões dentro da organização, entre os quais se conta Abílio Camalata Numa, antigo secretário-geral da UNITA.

A animosidade de Camalata Numa, segundo a fonte, não será tanto com Samakava mas com Adalberto da Costa Júnior e Cláudio Silva, que são vistos como dirigentes que fizeram fortuna à custa do património do partido.

“O general [Numa] e alguns militantes acham que esses dois seguidores de Isaías Samakuva têm atrapalhado os projectos do partido em termos patrimoniais, fazendo a cabeça do actual presidente, e também noutras questões internas da organização”, indicou a fonte.

Cogitações

Os estatutos da UNITA não prevêem a eleição de um presidente em congresso extraordinário. Por isso, acredita-se que, a concretizar-se imediatamente o seu desejo de deixar a liderança, Isaias Samakuva possa optar por indicar transitoriamente uma comissão dirigida pelo vice-presidente. Contudo, a fonte sempre admite um cenário em que ele venha a cumprir o seu mandato até ao conclave de 2019.

Pese embora internamente se procure gerir muito discretamente a hecatombe eleitoral, a verdade é que já se assiste a uma tímida correria por parte de alguns interessados em suceder Samakuva na liderança do partido. Nessa matéria, fala-se sobretudo de Lukamba Paulo “Gato” e do próprio Camalata Numa, que já disputaram, no passado, o cadeirão e foram derrotados pelo seu actual ocupante.

Um outro nome, entretanto, que sempre foi cogitado dentro e fora da organização, e que poderá dar o rosto no próximo Congresso ordinário em 2019, é o do actual secretário-geral adjunto, Rafael Massanga Savimbi. Em certas franjas da organização, o filho do líder histórico da UNITA, Jonas Savimbi, é mesmo visto como o mais provável sucessor, tendo em conta a história, o percurso e o amadurecimento político que vem ganhando paulatinamente.

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