Muito já foi dito sobre a dependência da nossa economia e da nossa sobrevivência em relação ao bendito petróleo que “suportou” os pilares das nossas despesas públicas e, de certa forma, do nosso modo de vida nos últimos anos. Ficou ainda mais evidente o “peso” desta dependência tão logo o preço do ainda precioso recurso natural despencou, deixando na saudade os, hoje longínquos, 100/120 dólares americanos o barril. O “tal” preço do barril virou tema nacional. Era comum ouvir em qualquer canto que o barril voltara a baixar, que o petróleo estava baixo e mesmo quem era completamente leigo nestes assuntos, assumia que vendia mais caro ou que tinha que comprar mais caro porque o famoso barril de petróleo baixou. Com a redução das receitas provenientes do petróleo, todos vivemos o que vivemos: A crise. O país praticamente parou, a economia desacelerou bruscamente e a despesa pública colocou um travão só ao nível dos monolugares da formula 1, deixando “danos colaterais” em qualquer parte. Dezenas de projectos abandonados, centenas de empresas encerradas, redução da receita fiscal, aumento substancial da taxa de desemprego, milhares de expatriados que foram obrigados a regressar aos seus países, aumento do índice de preços do consumidor e desvalorização da nossa moeda. Ficou claro que não havia um plano B em curso. Dependíamos do petróleo.

Após a realização das eleições e da tomada de posse do novo governo, começará uma nova era. Estamos expectantes para saber qual o rumo que o país tomará, mas uma coisa é certa: O petróleo não pode ter o mesmo peso. O alivio do braço de ferro entre os países que exportam petróleo e alguns dos maiores produtores, permitiu reduzir a produção e felizmente, originou o incremento do preço, que hoje está pouco acima dos 50 dólares americanos. Mas estes acordos não são vinculativos e a qualquer momento a produção e disponibilização do produto no mercado pode aumentar e originar nova quebra no preço, havendo ainda a sombra do surgimento de alternativas nos EUA e Rússia. Prevê-se que quando estes dois gigante consolidem estas alternativas, a OPEP perderá força na determinação do preço do petróleo e no meio disto tudo, o “nosso” barco que não tem “pujança” para bater de frente com as ondas, sujeitar-se-á, mais uma vez, à força da maré e dos fortes ventos.

Outro senão associado à dependência ao petróleo diz respeito a nova tendência da industria automóvel mundial e a decisão de várias cidades em contribuir para o combate à poluição e ao aquecimento global. As grandes marcas estão a aumentar a produção e oferta de viaturas eléctricas e híbridos e a redução de viaturas com os motores tradicionais, à gasolina ou gasóleo. Segundo os especialistas, estes motores estão condenados a desaparecer. Adicionalmente, são já 11 cidades europeias, entre as quais Londres, Oslo e Munique, com regras para, nos próximos anos, reduzir ou proibir mesmo a circulação de viaturas com os motores tradicionais.

Estas tendências afectarão directamente a nossa economia. Com a redução da procura de petróleo, provocada pela redução no consumo de derivados do petróleo, a oferta será excedentária e os produtores abandonarão qualquer acordo para garantir a sua quota de mercado. O preço reduzirá novamente. Outro factor a ter em conta, será o de que as grandes marcas automóveis não acabarão com a produção dos motores tradicionais, mas terão que reduzir em grande medida esta produção, fechando mesmo várias fabricas a nível mundial, dirigindo essas viaturas para os países onde as regras contra o aquecimento global, emissão de gases e poluição não são tão respeitadas, como em muitos países de África, América do Sul, Ásia e médio oriente, mas, como acontece sempre com a redução da produção em linha e oferta, com o incremento do preço.

Resumindo tanto palavreado:

O preço do petróleo poderá baixar novamente porque o consumo de produtos derivados na Europa e Estados unidos da América sofrerá um grande decréscimo.

As viaturas com motores tradicionais sofrerão um aumento no preço de venda devido ao surgimento de motores alternativos, mais concretamente, eléctricos e híbridos, que levarão a diminuição da oferta daquelas.

Como, a nossa economia, estará preparada para estes “embates” violentos, que surgirão nos próximos cinco anos?

Estaremos preparados para a nova tendência mundial do abandono do tradicional e abraçar as novas tecnologias para a industria automóvel?

Já estamos a preparar legislação e o mercado para o surgimento destas alternativas ou criaremos barreiras para proteger a empresa pública de combustíveis?

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