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Manuel Rabelais sob fogo dos seus adversários

o fim da linha para o todo-poderoso chefe do GRECIMA e secretário do Presidente da República para a comunicação institucional e imprensa? Rabelais está na iminência de ser apanhado pelos tentáculos de uma “campanha” que visa impedir a sua integração em eventual equipa governativa de João Lourenço, caso se confirme a eleição deste para o cadeirão máximo do Estado angolano.

Em círculos que acompanham o assunto, Rabelais é visto como tendo, por via da sua influência, enormes chances para assegurar a sua recondução no cargo ou vir a ascender para um outro ainda mais importante e estratégico no Governo. Mas, no que depender das forças que “conspiram” contra ele, a sua ascensão ou permanência na equipa presidencial não serão favas contadas, tal é a sanha com que o seu caminho tem vindo a ser obstaculizado.
Tanto quanto o Correio Angolense sabe, entre os rostos visíveis dessa “conspiração” contra o titular do Gabinete de Revitalização e Execução da Comunicação Institucional e Marketing da Administração (GRECIMA) avultarão as figuras do actual governador de Benguela, Rui Falcão, da ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, e de outras como o radialista Eduardo Magalhães, a quem cabe fundamentalmente um papel de execução.
Foi gizada uma autêntica “máquina” para obstruir a progressão de Rabelais, minando sobretudo a sua imagem, vista como a de alguém cuja associação aos círculos corruptos do país atingiu uma dimensão tal que se revelará contraproducente para o futuro governo que, de acordo com o que vem prometendo João Lourenço, terá no combate à corrupção o seu porta-estandarte.

Os mentores e articuladores dessa estratégia – que se apresenta devidamente calendarizada e com objectivos perfeitamente definidos – pretendem assim capitalizar o máximo com o discurso de João Lourenço contra a corrupção. “Tenho a certeza que se começarmos com isso numa altura em que o candidato fala do combate à corrupção, o camarada João Lourenço não terá escapatórias e vai se ver obrigado a mudar de posição”, assegura um dos mentores do plano, a cujo conteúdo o Correio Angolense teve acesso.
O plano já em marcha – desencadeado logo após a realização das eleições, com a consolidação tácita da ideia do triunfo do MPLA e do seu candidato – foi concebido para ser implementado em pouco mais do que duas semanas, tendo Luanda e Benguela como centros de gravidade das acções contra o chefe do GRECIMA, visto ser nelas que se pensa que estarão concentrados o poder e influência de Rabelais e onde também se supõe que estejam instalados os seus principais interesses económicos.
As redes sociais foram definidas como o terreno principal das acções a serem desencadeadas. Ou, como diz o principal articulador do plano, o palco “onde tentaremos mostrar a todos que se trata de um corrupto a todos os níveis”. Previa-se, assim, que logo na primeira fase do plano – implementada em Benguela – fossem disseminadas nas redes sociais informações dando conta “do grau de corrupção do indivíduo”, no caso Manuel Rabelais.
Num segundo momento tratar-se-á de mostrar, profusamente, “a quantidade de bens que ele possui” naquela província, um objectivo que para ser atingido poderá implicar “o uso de boatos do que é e não é”, se tal for necessário.
Seguir-se-ão acções de criação e divulgação de vídeos e áudios projectando interrogações sobre o que o titular do GRECIMA possui e sobre os poderes que goza. O fito será suscitar reflexões na opinião pública e, subsequentemente, instalar a preocupação entre os cidadãos, esperando-se sobretudo que os segmentos juvenis sejam incitados a dirigir apelos a João Lourenço.

Já a implementação do plano em Luanda prevê, prioritariamente, a recolha do maior número de informações sobre o trabalho desenvolvido por Manuel Rabelais no GRECIMA, com a ideia subjacente de passar para a opinião pública a forma como alegadamente controlará todos os órgãos de comunicação social públicos, desrespeitando o titular da pasta que “frequentemente se vê sem saber qual o seu verdadeiro papel na instituição que supostamente dirige”.
O fim último de tais acções será “terminar de vez com a imagem de competência” de Manuel Rabelais, mostrando-se ao país que “não passa de um homem arrogante e que não respeita absolutamente ninguém”, excepto o titular do Poder Executivo, José Eduardo dos Santos.
“Esta é a base principal das acções. Com isso alcançaremos o nosso principal objectivo que é acabar de vez com a figura de Manuel Rabelais e as suas equipas, e mostraremos ao camarada João Lourenço que longe deles será melhor. Teremos um trabalho digno de todos os angolanos”, assegura-se nesse cronograma de tarefas e acções contra o titular do GRECIMA.
Casualmente ou não, tudo isso vem à tona numa altura em que o site Club-K publicou uma notícia veiculando que estariam em curso movimentações lobistas destinadas a assegurar a inclusão no próximo Governo da figura de João Melo, numa posição que lhe permitiria ter sob sua alçada o sector da área da comunicação social, com o alegado fito de desenvolver reformas traduzidas na sua abertura política.
Tem sido recorrente a veiculação de cenários em que João Melo surge como um potencial candidato à liderança da comunicação social no país, encarada como uma peça crucial para quaisquer estratégia e programa de combate à corrupção.

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