A notícia, assim como ela acontece

Jornalistas angolanos “detidos” na Namibia

O “perigo” de ser jornalista torna as viagens mais simples numa grande aventura. Depois de um voo de quase três horas, aterrei finalmente no Aeroporto Internacional Hosea Kutako, o principal aeroporto da capital da Namíbia. A seguir, fiquei à espera com os outros passageiros na longa fila nos serviços de migração. Um por um, eles foram seguindo em frente, mas, quando chegou a minha vez, o agente de serviço decidiu apreender o meu passaporte pelo crime de, imaginem vocês, “ser jornalista”.

 

Queirós Anastácio Chiluvia, director de informação da Rádio Despertar, que seguia no mesmo voo, aconteceu o mesmo.

Ali ficámos sem passaporte, durante três horas, “acusados” de tentar entrar na República da Namíbia com o objectivo de recolher informações sensíveis sobre o país. Na verdade, fomos apenas convidados para participar num workshop.

Um agente dos serviços de migração com ar intimidatório e tom arrogante (infelizmente não consegui identificar o seu nome) ameaçou deportar-nos. Instalou-se um período de “confronto verbal“.

As autoridades migratórias da República da Namíbia alegam que os cidadãos estrangeiros que trabalham como jornalistas só podem entrar no país mediante uma autorização prévia. É uma prática bastante frequente em regimes autoritários. Ou seja, tal como no Zimbabwe, na Guiné Equatorial, no Togo, Uganda, Eritreia, Coreia do Norte e, claro, em Angola, os jornalistas também não são vistos como turistas na Namíbia.

Depois de uma sessão de muitas perguntas e respostas, lá fomos autorizados a entrar no país. Desengane-se quem pensa que a democracia namibiana não é uma ficção.

você pode gostar também
Loading...

Com um gosto você fica por dentro de tudo