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Jornalista perseguido por arguidos no escândalo de corrupção na Empresa de Águas de Benguela e Lobito

O caso sobre a detenção dos antigos gestores da Empresa de Saneamento de Benguela e Lobito ganho novos contornos. Familiares entram em campo com ameaças ao jornalista que tem estado a divulgar o escândalo de corrupção na imprensa.

Nelson Sul d´Angola, jornalista e correspondente da Deutsche Welle, emissora internacional da Alemanha, queixa-se de perseguição e de ameaças à sua integridade física por parte de familiares e amigos de algumas figuras implicadas no esquema de corrupção na Empresa Pública de Águas e Saneamento de Benguela e Lobito (EASBL), que  permitiu o desvio de mais de 60 milhões de dólares dos cofres do Estado, levando, na última terça-feira, 5 de setembro, a detenção dos ex-responsáveis daquela empresa pública de águas da província, sete anos depois da abertura da queixa-crime e de serem exonerados dos seus cargos.

Como prova da perseguição, o jornalista relata uma mensagem enviada ao seu telemóvel pela filha do empresário luso angolano Edilson “Dilcinho” Lacerda, proprietário da empresa Transcomércio, Lda., que, segundo fontes judiciais, encontra-se foragido na África do Sul, para escapar da detenção. Na referida mensagem que tivemos acesso, Priscilla Lacerda, afirmou que, se o jornalista não apagasse a notícia no mural da sua página do seu facebook, “vais levar nos cornos”.

Em função da idade da filha do empresário, o jornalista fez uma publicação no principio desta tarde, sexta-feira (08), afirmando não levava a sério o recado da menina, pensando tratar-se de um impulso de uma filha que apenas tentava defender à “honra” do pai. Só que, como “não há fumo sem fogo”, horas depois, Nelson Sul D’Angola viu a sua conta do Facebook bloqueada, prova de que há fortes indícios de haver movimentações que a família do empresário Dilcinho Lacerda e todos os envolvidos no esquema de corrupção na empresa de águas da província, entre eles Francisco Paulo “Chiquinho” e Ekumbi David, no sentido de silenciar o jornalista, usando métodos de ameaças à integridade física.

“Na verdade, não tinha mesmo levado à serio a mensagem que que me foi enviada. Mas depois de ver a minha conta bloqueada, não tenho dúvidas de que o que parecia uma “gracinha”, passou a ser um sinal claro de perseguição contra a minha pessoa e, por isso, não vejo outra saída a não ser apresentar uma participação ao Serviço de Investigação Criminal e à Procuradoria-Geral da República”, disse o jornalista.

E acrescentou: “para os que pensam que essas ameaças poderão inibir-me, é uma pena dizer-lhes que as mesmas elevam ainda mais a minha convicção de prestar um serviço público com base na verdade e não ceder a chantagens e ameaças”, vincou.

Refira-se que o empresário Edilson “Dilcinho” Lacerda, dono da firma Transcomércio, Lda., encontra-se foragido da Justiça desde da passada terça-feira, 5, despois de ter sido notificado por mais de uma vez pelo Tribunal Provincial de Benguela. Acusado pelo Ministério Público (MP) de ter beneficiado de milhões de dólares em subfacturação no aluguer e venda de viaturas à empresa pública de Águas e Saneamento de Benguela e Lobito –EASBL.

Recorde-se que se encontram detidos, na cadeia do Cavaco, Francisco Vieira Paulo (na foto), mais conhecido por Chiquinho (exerceu o cargo de coordenador da comissão de gestão da EASBL), Filipe Muabi Mazebo, Faustino de Jesus Frederico, e Edson Marques.

 

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