Isabel dos Santos acusa jornal Expresso de terrorismo jornalístico contra Angola, e contesta campanha com fins políticos paga pela oposição

As más relações da empresária Isabel dos Santos com o grupo de media português Impresa, que detém o canal SIC, o semanário Expresso e a revista Visão, parecem estar para durar.

Depois de ter acusado o dono do grupo, o empresário Francisco Pinto Balsemão, de “ganância”, por alegadamente ter cobrado à operadora ZAP um milhão de euros pelos direitos anuais de transmissão do canal de televisão SIC Notícias em Angola, Isabel dos Santos acusa o jornal Expresso de continuar “a fazer terrorismo jornalístico contra Angola”, e de montar uma “campanha para denegrir a sua imagem”.

Na base das alegações da presidente do conselho de administração da Sonangol, publicadas no Instagram e no Twitter, respectivamente, está o artigo “Um útimo presente de pai para filha”, publicado no último sábado, 26, no semanário Expresso, no qual a empresária é apontada como detentora de 40% do milionário projecto para construção da barragem de Caculo Cabaça.

A obra, no rio Kwanza, e cuja primeira pedra foi lançada pelo Presidente da República, tem um custo estimado de 4,55 mil milhões de dólares e uma produção 2.170 mega watts eléctricos (MWe).

Conforme o Novo Jornal Online escreveu, no passado dia 8 de Agosto, com base nos dados oficiais disponíveis, o projecto vai demorar cerca de seis anos (80 meses) a erguer e a empresa chinesa China Gezhouba Group Corp foi a escolhida para liderar a obra, localizada na província do Kwanza-Norte.

A esses dados, o semanário português junta agora o que diz ser “uma fuga de informação obtida pela revista alemã “Der Spiegel” e partilhada com o EIC (European Investigative Collaborations), uma rede internacional de jornalismo de investigação de que o Expresso é parceiro”.

Segundo o jornal, “os chineses não ganharam a obra sozinhos. Têm ao lado um parceiro oculto, que nunca deu a cara mas tem quase 40% do consórcio: a filha mais velha do Presidente, Isabel dos Santos”.

O semanário português escreve que “a troca de correspondência obtida pelo EIC inclui e-mails da própria filha do Presidente, em que se percebe que Isabel dos Santos teve a última palavra a dizer no negócio, ao mesmo tempo que os seus advogados garantiam que o nome dela não constaria de nenhum documento relacionado com o consórcio”.

As mensagens, alegadamente escritas pela empresária, são parcialmente reproduzidas no artigo do Expresso, mas desmentidas pela própria.

Empresária diz que está a ser associada a correspondência que não foi escrita nem enviada por si

De acordo com o Twitter de Isabel dos Santos, o jornal associa o seu nome “a correspondência que na realidade nunca foi escrita nem enviada por si”.

A filha mais velha do Presidente José Eduardo dos Santos diz ainda que o semanário “usa informação obtida com recurso a fonte criminosa”, manipulada por piratas informáticos.

Ainda no Twitter, a primeira bilionária de África alega que o semanário português actua “com fins políticos, relacionados com campanhas políticas em Angola”.

Para além dos tweets destinados ao Expresso, Isabel dos Santos também “dispara” contra o consórcio EIC e contra o site francês Mediapart, de jornalismo de investigação, que divide a assinatura do texto com o Expresso, acusando-os de receberem dinheiro em troca da publicação de notícias falsas, “encomendadas pela oposição política angolana”.

“Yann, esse não é o meu email. Não são os meus emails. Está enganado. Foi lapso ou deliberado?”, questiona a empresária, dirigindo-se directamente ao jornalista do site Mediapart, Yann Philippin, que co-assina o artigo do Expresso e que, também no Twitter, reagiu à acusação da PCA da Sonangol.

“Isabel dos Santos acusa Mediapart, EIC e a mim próprio de termos sido pagos pela oposição angolana. Santa Isabel”, escreveu o jornalista, que, no entanto, ainda não respondeu à questão lançada pela empresária.

“Lapso ou deliberado?”. À falta de resposta, é a própria Isabel dos Santos quem prossegue a discussão.

“Santo Yann”, introduz a empresária, acrescentando um emoticon de riso às lágrimas, num tweet em que sugere que o jornalista talvez não se tenha apercebido que “escreveu para o jornal português Expresso de Pinto Balsemão, que há meses conduz uma campanha paga [contra si]”.

Mais do que rejeitar a credibilidade da publicação lusa, Isabel dos Santos acrescenta que quem pagou pelo trabalho não é tão discreto quanto quem aceitou o dinheiro.

“Uma semana antes da publicação do artigo, o vosso cliente enviou-me uma mensagem, avisando-me do “ataque”, escreveu Isabel dos Santos, apelando à revelação do que diz ser a verdade.

“Será que incomoda assim tanto, à Mediapart, assumir que por vezes tem financiadores ou agendas por detrás das suas campanhas de informação?”.

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