À parte de tudo aquilo que já conhecemos – que o pugilista norte-americano Floyd Mayweather levou a melhor sobre o lutador irlandês de Artes Marciais Mistas (MMA), Conor McGregor (29 anos), ao 10.º assalto por KO técnico, um feito que levou o veterano a atingir o seu quinquagésimo triunfo da carreira (em 50 lutas disputadas) ultrapassando, desse modo, a marca do lendário Rocky Marciano, com 49 vitórias – o Combate do Ano, como foi durante os últimos longo meses apelidado, ficou manchado por outras razões.

 

A ‘farsa’ e a ‘burla milionária’

Oscar De La Hoya, antigo campeão mundial e olímpico, e Bob Arum, conceituado promotor da modalidade, foram dois entre os nomes mediáticos do mundo do boxe que não se intimidaram quando foram chamados para comentar o combate. «Basta ver o vídeo da luta para se comprovar que tudo o que foi encenado no ringue foi patético», começou por afirmar De La Hoya, que continuou a sua análise numa versão ainda menos light. «Como já tínhamos dito antes, tratou-se simplesmente de uma burla milionária, permitida por aqueles que deviam zelar pela integridade do boxe», asseverou, criticando os promotores envolvidos na super-luta. Por sua vez, Arum seguiu a mesma linha de pensamento e aproveitou para reforçar as palavras do ex-atleta descrevendo a batalha do T-Mobile Arena, em Las Vegas, como «uma farsa». «Sempre dissemos que era uma montagem e uma exibição lamentável cuja única finalidade era enganar os fãs, fazendo do boxe um espetáculo de televisão», lamentou, num momento em que detalhou os fatores que culminaram, na sua perspetiva, «num espetáculo lamentável». «Um porque não sabia posicionar-se e muito menos desferir um golpe que até os miúdos que começam no ginásio sabem [McGregor]; outro por não destroçar o adversário desde o primeiro assalto [Mayweather]. Foi a luta mais estranha da história de Las Vegas», garantiu.

Indiferente a este cenário estão, ao que tudo indica, os próprios protagonistas. Conhecidos pela relação conflituosa que mantém, a verdade é que desde o fim do combate que os ânimos  entre Mayweather e McGregor se apaziguaram.

 

Das farpas aos elogios

Depois do lutador invicto na carreira ter revelado que o atleta de 29 anos «era mais duro do que pensava» e inclusivamente ter utilizado o termo campeão para se referir ao irlandês, também McGregor deixou uma mensagem nas redes sociais a tecer rasgados elogios ao seu oponente. «Parabéns ao Floyd por uma luta muito bem feita. É muito experiente e metódico no seu trabalho. Desejo-lhe o melhor na reforma. Ele é um pugilista e tanto. A sua experiência, paciência e resistência deram-lhe a vitória. Sempre disse que ele não era um lutador, mas um pugilista. Depois de estar no mesmo ringue que ele percebi que é um lutador sólido», reconheceu o campeão dos pesos-leves da UFC. Um cenário impensável há uma semana que pode contribuir para as opiniões mais negativas acerca do combate. Recorde-se que a super-luta valeu um cachet astronómico para ambos os desportistas. Floyd Mayweather encaixou cerca de 293 milhões de euros, o que significa uma média de 10 milhões de euros por cada minuto que esteve no ringue, enquanto McGregor amealhou 85 milhões de euros. Não foi por acaso que um dos slogans mais recorrentes para descrever a luta foi “The Money Fight”.

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