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A miséria que se esconde por detrás do Monumento do soldado desconhecido

Consta que o Executivo vai «torrar» 12 milhões de dólares para homenagear os soldados angolanos que tombaram nos distintos teatros da guerra.

Embora os combatentes mereçam uma homenagem, não acho, porém, oportuno/urgente ergue-se o monumento ao «Soldado Desconhecido» nesta fase difícil do campeonato em que os cofres do Estado estão de tangas…
Mais do que Inoportuno, considero Imoral, senão mesmo Desumano prestar-se-lhes esta homenagem, quando os seus descendentes e viúvas vivem uma miríade de problemas sociais. Uns, estão sem receber as respectivas pensões de sangue, outros, se as recebem, «apanham» uns míseros Kwanzas…
Não seria mais justo e humano construir-se a obra numa outra ocasião ou, no pior das hipóteses, erguer-se um empreendimento modesto, à dimensão das actuais capacidades financeiras do Estado? Com o dinheiro poupado bem podiam ser erguidas escolas de artes e ofícios para os filhos dos soldados mortos em combate, ou ainda apoiar as viúvas em projectos agro-pecuários, pequenos negócios, etc.?
Que importa termos um monumento bonito para mostrarmos aos estrangeiros em visita ao nosso país, quando na rectaguarda do projectado edifício faustoso vegetam milhares de órfãos, à mingua de alimentos, à falta de escolas, hospitais e medicamentos? Do meu ponto de vista, a melhor homenagem a prestar às vítimas da guerra deveria começar pelo apoio aos descendentes e viúvas dos militares mortos em combate! Haja bom senso e humanismo!

By Ilídio Manuel, 18/06/2017

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