Reinvenção sexual |Pérola das Acácias

Quando Freddie Mercury sentiu que a sua intimidade estava a ser violada decidiu mudar-se para Nova York. Queria deixar a sua homossexualidade em fórum privado. Queria frequentar bares e festas temáticas sem que isto fosse publicado diariamente na imprensa, sem que fosse perseguido por tablóides e paparazzis como se fosse o assunto mais importante do mundo. Freddie gostava de chegar a fila da discoteca e não passar a frente por ser quem era, Freddie gostava de ficar na fila sem ser incomodado com fotografias ou autógrafos. Freddie queria que o seu talento, o seu enorme talento (para mim o melhor de sempre) falasse mais alto que a sua vida privada. Freddie, quando a doença tomou conta do seu corpo fugiu das Metrópoles, das grandes cidades cosmopolitas e escolheu Montreux, uma pequena cidade na Suíça para morrer em paz. Freddie queria ser recordado pela sua música, pelos seus espectáculos, pelo seu dom musical.

Trinta anos depois, o talento deixou de ser tão importante. Prova disso foi a reinvenção do caminho para a fama idealizado pela mãe e protagonizado pela “reality Star” americana Kim Kardashian num vídeo de cariz adulto que a catapultou (incluindo a família) para o primeiro patamar da fama. Hoje factura milhões de dólares americanos, é a estrela principal de um canal e toda a sua vida é assunto mundial, levando até que o ex-presidente Barack Obama (supostamente) proibisse as próprias filhas de acompanharem o dito “show”.
Mas hoje este é o caminho mais fácil para a fama, para o estrelato. Chocar. Fazer coisas fora do senso comum, reprovadas pela sociedade, vulgares e acima de tudo, divulgar.

A internet tornou-se no melhor meio de divulgação, de fotos, vídeos, comentários e outros, viralizando em segundos, chegando a milhões de internautas. É assim nos países do primeiro mundo, é assim em Portugal e Brasil e olha que, descobriram a pólvora em Angola.

Quando o talento escasseia, quando a capacidade de se reinventar está muito perto ou mesmo no chão, então alguns dos nossos artistas e figuras públicas aderiram ao caminho mais rápido para chegarem e ficarem na boca do povo. O sexo. Falaram não só de si como de outros.

Anunciaram que fizeram sexo com  homossexuais, que tiveram relações com cães, que são virgens e que querem dançarinas virgens, que o seu órgão sexual é público ou que não fazem sexo a x tempo, que querem participar em vídeos para adultos, que querem publicar a lista de quem troca bens por intimidade, e até quem tem telhados de vidro finíssimo apontou dedos e atirou pedras. Publicaram vídeos íntimos deles e de outros sem se preocupar com os danos à imagem e a vida privada de terceiros. Trataram de chocar a sociedade. Trataram de se manter (ou tentar, pelo menos) na boca do povo.

Se esta reinvenção sexual é o melhor que os nossos artistas têm para nós, então, como se diz, “estamos paiados”.

Quando o talento em algo é escasso ou surge uma nova “janela” é natural o artista reinventar-se. Will Smith, LL Cool J, The Rock, Vinnie Jones, Júlio Iglesias e milhares de outros famosos fizeram essa transição. Aguardamos a vossa. Esperemos que tirem o sexo da boca, a vida alheia da boca e nos proporcionem entretenimento, com talento puro.

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