É o povo que empresta o seu poder a alguém para estar à frente do país a representá-lo; a gerir o que pertence a todos os cidadãos, de Cabinda ao Cunene. Daí o envolvimento de todos nesse impasse que existe no país. Não é quem não esteja preocupado.

A CNE já está com uma contagem provisória de 98,77 por cento de mesas escrutinadas, que colocam o MPLA em primeiro lugar (61,05%), a UNITA em segundo lugar (26,72%), a CASA-CE em terceiro lugar (9,49%), o PRS em quarto lugar (1,33%), a FNLA em quinto lugar (0,91%) e a APN em sexto lugar (0,50%). Portanto, 1,23 por cento, que falta, já não altera nada em termos substanciais.

Por que os militantes, amigos e simpatizantes do MPLA não estão na rua a festejar se já têm a vitória garantida, fruto da vontade soberana da maioria dos angolanos adultos?! Estão satisfeitos pela vitória ou não?!

Será que o MPLA subestimou o nível de organização interna dos partidos na oposição?! Será que subestimou o povo angolano?! Pensou que o povo angolano é o mesmo de há anos?! Pensou que o povo não está a acompanhar os vários problemas do país?! Pensou que as enchentes nos seus comícios eram algum indicador da desejada “maioria qualificada”?!

O silêncio nas ruas de Angola diz muito. Diz muito porque tudo indica que os partidos na oposição têm razão quando dizem que os votos apresentados pela CNE caíram de pára-quedas. Ninguém sabe de onde saíram os votos que dão maioria confortável ao MPLA.

A minha pergunta é: se o MPLA ganhou bem, por que não desafia a oposição, os jornalistas, os observadores nacionais e internacionais, a sociedade civil, a mim próprio também, a mostrar publicamente uma “recontagem” em directo para todos testemunharem que, de facto, não houve votos que saltaram de aviões presidenciais?!

Se todos os outros candidatos dizem que não se cumpriu os pressupostos da lei eleitoral para se achar o vencedor, por que o MPLA não aceita recuar, se até tem provas, com base em actas síntese, que teria “maioria qualificada”, antes mesmo da Comissão Nacional Eleitoral anunciar os primeiros resultados?!

Antes da primeira dianteira oficial do MPLA, recordo-vos, João Martins, secretário do MPLA para os assuntos políticos e eleitorais, já tinha dito, em directo, por meio da Televisão Pública de Angola, que a vitória do MPLA estava garantida com “maioria qualificada”, com base em actas em posse dos delegados de lista do seu partido. Onde estão tais actas?! Evaporaram?! Só o senhor Ju Martins é que as enxergou com microscópio?! Se existem, por que não se mostra a todo o povo angolano que o MPLA é e sempre foi uma pessoa de bem?!

Ou nunca foi uma pessoa de bem e sempre andou a enganar-nos desde 1975?!

“Outronão”, após reclamações de não cumprimento da lei, o MPLA usa os meios de comunicação social públicos para dizer que exigir o que manda a lei é incitar a guerra e violência?! Ninguém pode reclamar de nada para sermos televisivamente flagelados com comunicados da guerra do costume?! É mesmo este MPLA que prometeu, na sua campanha, a todos os angolanos que iria corrigir o que estivesse mal e melhorar o que estivesse bem?! Ou este MPLA já não é o que nos estava a conquistar com promessas que devia começar já a cumprir com outro rosto à frente?! Está já a mostrar que evoluiu ou que regrediu em plena comemoração de aniversários de engenheiros-arquitectos?!

Oxalá o senhor MPLA tenha bom senso para recuar e refazer tudo como manda a lei eleitoral. Estou em crer que a verdade, desta vez, vai prevalecer. O senhor MPLA não tem saída à vista que não seja cumprir a Lei. Se estiver a contar com a boleia do Tribunal Constitucional para ditar o desfecho do episódio a seu favor, estará a cavar um buraco ainda maior para desaparecer da história de Angola da pior maneira, porque até poderá estar no poder, mas não vai ser respeitado por ninguém que seja lúcido. E ninguém garante que tudo vá terminar bem até 2022!

Quero acreditar que o MPLA é uma pessoa de bem e que vai ajudar o país a sair deste clima que não favorece nenhum angolano (de boa fé)!

Que o vencedor seja encontrado nas actas síntese de todo o país. O poder é do povo. É a vontade do soberano que deve ser garantida para a governação do país no período 2017-2022.

Espero que a minha próxima reflexão seja para dizer que o MPLA mostrou ser uma pessoa de bem, de facto!

Conto consigo, senhor MPLA, afinal, “O MPLA É O POVO E O POVO É O MPLA”. Ou nunca foi?!

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