Quênia, África do Sul, Etiópia, Venezuela, Bahrein, Colômbia, Costa do Marfim, Marrocos, Uganda, Cazaquistão, Tanzânia. Alguns destes países aqui tão perto, outros nem por isso. Mas se olharmos para o mundial de atletismo que está a decorrer em Londres, todos eles estão muito longe. Demais até. Estes países já venceram medalhas. Figuram no quadro de medalhas, com muita honra. Alguns deles, como o Quênia e a Etiópia figuram entre os maiores “fornecedores” de atletas de elite do atletismo mundial. São vencedores natos.

Vasculhei o site da organização dos 16os mundiais de atletismo organizados pela Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) à procura da nossa rica bandeira ou de um atleta nosso. Sim, encontrei, para meu orgulho. Angola também está presente. Mas a alegria rapidamente passou a surpresa. Angola participou ou competiu na prova dos 100 metros femininos? Surpresa, porque acompanhei as eliminatórias, as meias finais e a final e não vi a nossa atleta. Rapidamente, confirmei os resultados e de facto não consta o nome da nossa atleta, Adriana Alves, nascida aos 13 de Setembro de 1995. Ou seja, consta da lista de participantes, mas não nas listas dos resultados.

Mas estes campeonatos são a prova do que tenho defendido. Por que razão o nosso desporto arrasta-se por um amadorismo crônico, sem expoentes mundiais, defendido à unhas e dentes pelos títulos africanos de Basquetebol e Andebol, que em 20 anos continuam no mesmo patamar, servindo apenas para competições continentais, enquanto o resto das modalidades perdem-se, aos poucos ou rapidamente, sem que se consiga inverter este rumo?

Se olharmos para alguns países e modalidades podemos perceber o que falo:
EUA, futebol: Quando os EUA organizaram o mundial de 1994 em futebol, a modalidade renascia do que fora nos anos 60/70. Nessa época jogadores como Pelé, Cruyff ou Beckenbauer por lá andaram. Fruto de um investimento sério, controlo de despesas, criação de infraestruturas e algumas contratações de estrelas, hoje o futebol já está entre às 4 mais populares e a selecção evoluiu a olhos vistos.

Espanha, basquetebol: Quem não se lembra da vitória de Angola sobre a Espanha nos jogos olímpicos de 1992? Estes jogos foram o ponto de partida para o lançamento de várias modalidades em Espanha. O governo investiu, os clubes investiram. O talento estava lá, só precisava de melhores políticas e condições. Desde aí foram campeões mundiais em 2006 e campeões europeus em 2009, 2011 e 2015 e prata nos Jogos olímpicos de 2012.

Nova Zelândia, Rugby: O desporto dos brutamontes, na realidade um desporto de cavalheiros, é aposta nacional. Fruto de uma rigorosa gestão, onde quem joga fora não representa a selecção, limites orçamentais e salariais, retenção e desenvolvimento de talentos, desporto escolar, etc., fazem da seleção a melhor do mundo.

Quando olho para as nossas seleções, os nossos clubes, os nossos dirigentes, as nossas políticas percebo que os nossos atletas e o seu talento são vítimas de um amadorismo e cegueira desportivo que mina, geração após geração, o alcance de resultados positivos e de categoria Internacional.
Os clubes nascem e morrem do dia para a noite, nao criam infraestruturas (na sua maioria), não é obrigatório a apresentação de garantias bancárias e a meio da época “ameaçam” desistir, o desporto é politizado, os dirigentes entram para o desporto como meio de ascensão política ou financeira, não há obrigação de criarem escolas de formação, Ou seja, o desporto é feito sem objectivos, sem horizontes definidos, navegando, disputando, competindo na mesma falta de organização e evolução, queimando qualidade e talento. O desporto é o espelho do amadorismo (que já referi 2 ou 3 vezes neste texto).

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