Estamos a pouco mais de um mês das eleições gerais no nosso país. Dia 23 de Agosto, cerca de nove milhões de angolanos terão a oportunidade de eleger o partido, e automaticamente o presidente, de sua preferência. Estas eleições serão as quartas, depois de 1992, 2008 e 2012. É mais um passo, espera-se, rumo a democratização total do país. Em 1992 concorreram 18 partidos/coligações, em 2008 apresentaram-se ao pleito eleitoral 14, em 2012 o número reduziu para 9 concorrentes e em 2017 temos 6 partidos/coligações que tentam conquistar o eleitorado. A tendência é uma redução de concorrentes e a concentração do eleitorado nos maiores partidos.

Durante cerca de seis meses foi efectuada aquilo a que chamaram pré-campanha, onde os partidos e os seus candidatos desdobraram-se em deslocações pelos quatro cantos de Angola, levando a sua imagem, as suas cores e a sua mensagem. Os afiliados, membros, associados, simpatizantes e a população em geral participaram em massa, o que leva-me a crer que haverá uma redução da abstenção verificada nas eleições de 2012, de cerca de 37%.

Mas, apesar de muitas promessas, naturais neste tipo de campanha, a frase ou discurso que mais chamou a minha atenção foi a de que todos os 6 concorrentes falam em vencerem as eleições. Ou seja, todos acreditam que podem vencer? Todos estão nesta eleição para vencer?

Sinceramente, acredito que estamos perante uma demonstração de pura ilusão, imaturidade política, desconhecimento da história, falta de conhecimento das suas capacidades, maximização virtual de potencialidades, desperdício de recursos temporais e financeiros. Então se num acto de massas alguém não consegue mobilizar 5 ou 6 mil simpatizantes, acredita que pode convencer 3 ou 4 milhões de angolanos?

Em nenhum momento vi discursos que falavam em angariar n militantes nos próximos x anos, em conseguir espaço em provincias tradicionais de outros concorrentes, em conseguir mais deputados para crescer no parlamento, em levar ao debate a lei x ou y, em debater no parlamento assuntos estratégicos para o país, em crescer como partido e como oposição. Não. Vamos directo para o discurso da vitória.
O “se eu vencer…”

Vem aí a campanha e serão mais 30 dias de muita agitação, muitos actos de massas, muitos discursos e muitos …
…”se eu vencer”…

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