Viemos de uma aldeia longínquo da província de Benguela para ver ao vivo e a cores o candidato do povo. Não sabemos, se fomos coagidos ou não, mas o barulho ensurdecedor do soba e dos sipaios do partido era infindável. Se ficássemos em casa, seriamos conotados. Portanto, tínhamos que partir.
Fomos carregados nas carroçarias dos camiões como boi, ovelhas e porcos, misturaram-nos todos: adolescestes, jovens, senhoras, senhores e idosos. “ o sacrifício coroa a vitória”
Durante o caminho, padecemos dos buracos na via ao “frio ardente”. Vimos agentes reguladores de trânsitos dos mais temidos da comunidade que não interpelaram o motorista apesar das ilegalidades nas suas barbas. Até o destemido agente Bernardo que levou pacatos cidadãos para os calabouços por não observância da regras elementares de circulação rodoviária, ficou eletrocutado a observar-nos. Nem uma palha moveu, acenamos-lhe apenas riu-se!
Chegamos a sede provincial sem nenhum impasse, fomos alojados na Escola Primária (não diremos o nome), disseram-nos que os alunos estavam em borla e os professores “numa boa”.
Então a noite quase não dormimos, estávamos num ambiente político espectacular, entre bebidas alcoólicas, danças, música, delírios de sensualidade, sexualidades e grandes cenas de novelas. Os mais atentos não perderam a oportunidade de exercitarem os órgãos miraculosos, que pecado!
No dia do discurso, acordamos ressacados de tudo e fomos ao local a fim de ouvirmos o camarada candidato. Vimo-lo ao vivo e a cores. Falou que fará de Benguela o motor da economia e apostará no turismo, agro-negócio e outros quejandos.
Entretanto, parece que o “ próximo” ou não leu ou não lê, queria aparecer. Porquanto, o que disse no comício não é novidade. Pois, que depois de alguns planos bienais sobre a província de Benguela, sobretudo iniciados em 2009, criou-se o programa provincial de desenvolvimento económico e social 2013-2017, actualizado em 2018-2022 que abarca cinco eixos fundamentais: Aglomeração urbana, internacionalização do corredor do Lobito, Porto do Lobito, Aeroporto internacional da Catumbela, desenvolver a indústria pesada, agro-pecuária e o turismo.
O próprio Zedú elogiou o então governador Isaac dos Anjos pelo conteúdo do programa para a província aquando da 13ª reunião da Comissão Económica do Conselho de Ministros realizado no Lobito em 2014.
O “próximo” fez uma auto-crítica a Luanda e destapou que Benguela tem sido esquecida. Logo, o que disse já foi pensado apenas falta executar.
Saímos desiludidos e subimos novamente nos camiões e regressamos para sanzala. Estamos a espera que pela próxima seja ele a andar de preferência no camião.
O POETA QUE NÃO É POETA

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