Quando a minha viagem começou, eu não sabia o que era esperança. Nem estava preocupado com isso. Era mais uma criança preocupada com brincar, comer e dormir. Não estava preocupado com as roupas antigas ou os sapatos coçados, não me importava com a lata para sentar ou com a turma por baixo de uma árvore. Lógico, que com a idade os interesses eram outros e às preocupações praticamente inexistentes. Mas nesta viagem da vida, tudo muda, tudo se transforma.

Hoje às preocupações são outras. Hoje quero ter uma vida calma, sem sobressaltos, uma vida estável. Mas às preocupações que deveriam ser normais nesta altura, muitas vezes são submetidas para segundo plano, porque o básico tornou-se a preocupação principal. A segurança e integridade física, a qualidade de vida, a disponibilização de produtos e bens de primeira necessidade de qualidade e à preços suportáveis, a estabilidade financeira, quer pessoal como do país. Até o mais impensável ainda é uma preocupação diária. Hoje quando chegar a casa terei energia eléctrica? Preciso abastecer o gerador? Terei água da rede ou tenho que comprar água? Qual a rua que devo passar para evitar o máximo de asfalto degradado? O preço do pão é o mesmo de ontem? Porque razão a tosta já é 750 Kwanzas na pastelaria? Será que amanhã haverá gasóleo para o meu carro? Onde encontro todo o material escolar para os miúdos? Devo levantar o muro, colocar arame farpado, cerca elétrica ou cacos de garrafa? Devo por segurança física ou uns cães agressivos?
Decisões simples que dependem não só de nós mas também e principalmente de terceiros.
Devo viver o dia-a-dia ou preparar o futuro?

Será que há futuro?

Somos um país rico em tudo. Inquestionávelmente, temos muito do muito e muito do pouco, muito do bom e muito do mau, muito de rico e muito de pobre. Somos uma sociedade de extremos. Hoje recebemos uma boa notícia, daqui a 5 minutos recebemos uma má notícia. Se inauguramos uma mega obra, do outro lado temos projectos abandonados ou parados por isto ou aquilo. Se levamos energia eléctrica a n cidadãos, ficamos a saber que falta água a n+1 cidadãos. O bom é que ainda somos poucos (aproximadamente 29 milhões) e o “mau” é que os 1.246.700 km2 dificultam a que se leve tudo e com qualidade a todos.

Vou, vamos, esperar às eleições que aí estão à chegar com alguma esperança de mudança de mentalidades. Só a mudança de mentalidades poderá melhorar este país.
Mas olho para o país e não vejo luz no fundo deste túnel.

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