Mau Serviço Público: Entrevista Colectiva de JL (2ª Análise)

 


  1. João Lourenço vai governar com cidadãos angolanos que não sejam necessariamente do MPLA? (Grande pergunta do jornalista “Leão Vital”da TV ZIMBO)

JL: “No comício de Cacuaco, falámos, sim, do nosso interesse em governar para todos. Mas é preciso que não confundamos as coisas. Governar para todos, governar em benefício de todos, NÃO SIGNIFICA GOVERNAR COM TODOS.”

 

Análise: João Lourenço, com esta resposta, mostra, claramente, que não vai governar com angolanos que não sejam militantes do MPLA: “Governar para todos não significa governar com todos”. Quem estava a voar já terá aterrado! Isso é grave para um Chefe de Estado. Que tipo de Chefe de Estado vamos ter se JL for eleito?! Já está a dizer claramente que NÃO VAI GOVERNAR COM ANGOLANOS QUE NÃO SEJAM DO MPLA! João Lourenço mostra, com esta resposta, ao contrário do que se esperava de um “conquistador-mor”, que não pretende ter um Governo inclusivo. Só os militantes do MPLA é que terão espaço no Governo de João Lourenço. Se ainda havia alguma dúvida sobre a arrogância do MPLA (e com o candidato João Lourenço a curva da arrogância mostra ser ascendente), as dúvidas estão claramente dissipadas.

João Lourenço está de parabéns, por um lado, porque deu a única resposta concreta em toda a sua primeira “entrevista colectiva”. E quando conseguiu falar sem pensar muito, o seu subconsciente falou mais alto, mostrou claramente que não respeita a Constituição da República de Angola; não respeita a diferença; não respeita a democracia representativa e participativa (art. 2º da CRA); não respeita os adversários políticos; não respeita a dignidade da pessoa humana nem a construção de uma sociedade livre, justa, democrática, solidária, de paz, de igualdade e progresso social (art. 1º da CRA).

Quando um candidato mostra claramente que pretende violar logo os primeiros princípios fundamentais da lei-mãe do país (Constituição da República de Angola aprovada por “unanimidade MPLISTA”) ainda pode ser eleito?! O povo angolano que não vê interesse em ser militante do MPLA para ser considerado como cidadão angolano não poderá participar na governação do MPLA, caso JL vença. João Lourenço está a assumir que não vai institucionalizar as Autarquias Locais (democracia representativa e participativa – art. 2º CRA) quando no mês passado, Junho, os representantes do soberano aprovaram a Lei do Poder Local, sob iniciativa da UNITA que diz pretender um Governo inclusivo?!


JL deu um bom tiro (é general, ministro da Defesa, domina armas de fogo) no seu próprio pé e ainda acha que ninguém está a ver que está a sangrar?! Ainda acha que é elegível?! Num país normal, com cidadãos que usam o cérebro para prognosticar o seu futuro caso esteja à frente do país um ou outro candidato a Presidente da República, acima de interesses de partes (partidos), olhando para o todo (nação), João Lourenço já teria criado as suas condições necessárias para não ser eleito Presidente da República de Angola, visto que só pensa GOVERNAR COM O MPLA. Pretende excluir todos os que não forem militantes do MPLA.

É que eu não sou militante do MPLA nem de nenhum partido, senhor João Lourenço! Estou preocupado! Afinal, o Governo do MPLA não conta comigo?! Não conta com apartidários: jornalistas, professores, médicos, funcionários de órgãos de Defesa e Segurança, etc.?! Podemos ter toda a competência do mundo, mas não seremos tidos nem achados por não sermos militantes do MPLA?! Angolanos, o MPLA vai governar só com o MPLA, mas para todos! “É preciso não confundir…”, alerta João Lourenço!

Se os resultados do país hoje mostram que Angola está em crise de valores em todos os sectores da vida pública – e basta sermos honestos para o afirmar, embora a honestidade não seja cartão de visita na bandeira estrelática amarelada à angolana, e JL faz questão de reforçar que não vai governar com todos! –,  podemos  afirmar, com alguma honestidade intelectual, que a gestão do “candidato natural do MPLA” não vai promover a meritocracia, meta esperada por alguns analistas que pensam com a sua própria cabeça.

Significa que todos os angolanos competentes, que não sejam militantes do MPLA, vão passar ao lado do país durante 5 anos – e têm de rezar para não irem desta para melhor durante esse período, caso JL seja eleito (o que é muito provável a julgar pelas “eleições do costume”)!

Não deixa de ser um contra-senso, por outro lado, se a minha intepretação de língua portuguesa estiver correcta, a julgar que no recente congresso do MPLA em que José Eduardo dos Santos foi “reentrado” para depois anunciar que afinal não “reentra”, mas (re)sai em 2018, que o até agora líder do partido afirmou, na ocasião das “urnas do M”, que pretendia promover o mérito dos angolanos independentemente da sua filiação partidária. Será que a diferença na mudança de cabeça-de-lista “do partido do costume” é para desdizer o que líder (doente, mas vivo) prometeu?! Teremos mudanças radicais, no sentido extremo negativo, em relação à inclusão de todos os angolanos no próximo Governo de Angola?!



Sobre o desempenho dos jornalistas presentes na EC

Se já tem sido um facto que para desempenhar determinadas funções no Estado, e mesmo em empresas pseudo-privadas, é necessário exibir “o cartão da palavra-passe”, podemos afirmar com alguma “lógica respostiva” que vai haver um incremento da “palavra-passe” para o abre a cadabra?! É isso o que o candidato do MPLA a Presidente de todos os angolanos está a assumir, antes de ser eleito, alto e em bom som?! São perguntas que os colegas jornalistas deviam ter feito, de forma mais directa, naturalmente, para satisfazer o INTERESSE PÚBLICO. “É preciso não confundir…”, alerta João Lourenço!

É preciso destacar que um presidente da República não está acima da lei, quanto menos um candidato a Presidente que ainda não foi eleito! Existem Direitos fundamentais dos cidadãos angolanos, de Cabinda ao Cunene, que devem ser salvaguardados independentemente da sua filiação partidária. Embora não seja formado em “Direito” – e, na verdade, não sou formado em nada! – o meu entendimento enquanto cidadão e jornalista é que não se pode discriminar um cidadão angolano por pertencer a este ou àquele partido político. Quanto menos quando se é apartidário como nós! Os próprios jornalistas nem sequer se preocuparam em fazer perguntas para satisfazer os anseios dos próprios colegas da classe (apartidários) já que não há demonstração visível de haver “interesse no interesse” do soberano?! Salvo melhor interpretação, a CRA de 2010 estabelece direitos, liberdades e garantias para os angolanos como “o direito de igualdade perante a lei e mediante a lei” (a não discriminação estabelecida nos art. 22º e 23º); “o direito de acesso a cargos públicos” (art. 53º); “o direito de participação na vida pública” – exercício de cidadania (art. 52º), e podíamos fazer incursão de “lógica direitista” aos próprios Direitos Humanos consagrados pelas Nações Unidas em que Angola diz fazer parte. Mas para não sermos acusados de estarmos a fazer as ingerências externas do costume fiquemos no preto, vermelho e amarelo.

Não questionar sobre o que João Lourenço queria dizer com o “… é preciso não confundir…” é prova inequívoca de que não se está a trabalhar para o INTERESSE PÚBLICO.

Será que na próxima conferência de imprensa restrita, os colegas vão ter coragem de rebater na questão da possibilidade de termos um “Governo (Ex)clusivo” com a eleição do MPLA?!

 

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