Sérgio Conceição explica porque aceitou trocar Nantes pelo FC Porto

Após o Nantes ter confirmado oficialmente a saída do técnico Sérgio Conceição, que vai ser o próximo treinador do FC Porto, o técnico português recorreu às redes sociais para explicar os motivos da decisão.

Sérgio Conceição alegou razões pessoais, indicando que a oportunidade de rumar ao FC Porto lhe permite acompanhar a sua companheira de há dezoito anos, da qual quer estar próximo por questões de saúde.

O técnico agradeceu ao clube francês e em particular ao presidente Waldemar Kita, dizendo ainda partir de «consciência tranquila» face àquilo que conseguiu no Nantes.

Confira o comunicado na íntegra:

«Queridos adeptos do Nantes, O meu silêncio ao longo dos últimos dias explica-se, principalmente, pelo facto de me encontrar de férias, junto da minha família. Apesar da magnífica experiência convosco ao longo dos últimos meses, decidi também gerir a minha ausência para estar mais próximo de quem, hoje em dia, precisa mais de mim.

Lamento a confusão que se criou em torno do meu futuro. Antes de tudo isto, a minha situação pessoal fez-me encarar uma possível paragem no futebol, durante um certo período de tempo, possibilidade essa que discuti com o meu amigo Waldemar Kita [presidente].

Neste momento, surgiu uma oportunidade que me permite continuar a trabalhar e a viver do futebol, ao mesmo tempo que posso acompanhar a minha companheira de há dezoito anos. Por uma questão de saúde, mais do que tudo, devo estar presente todos os dias.

O futebol sempre foi a minha paixão, mas com o passar dos anos compreendi que há outras coisas que devem ser prioritárias. Estou certo de que compreendem a minha situação. As reações negativas tocam-me mais do que vocês imaginam. Vou pensar que essas se deveram a uma falta de conhecimento da situação.

Não falei até aqui por respeito ao Nantes, ao presidente, e também à minha família. Em privado, exprimi todos os dias a minha admiração pelo Waldemar Kita, o homem que me deu esta oportunidade de mostrar o meu trabalho num grande palco como é a Ligue 1.

Estarei eternamente grato pela vossa confiança e pelo vosso apoio.

O que fiz no Nantes deixa-me partir de consciência tranquila. Em seis meses conseguimos atingir a melhor classificação desde 2004, o que se traduziu também em algo inédito para o clube em vários anos. Conseguimos os 51 pontos na Ligue 1, marcámos 40 golos e somámos 14 vitórias, os melhores resultados em mais de 10 anos.

Lançámos as bases para um futuro mais profissional para este clube: apesar do palmarés impressionante, tínhamos sido ultrapassados por um mundo do futebol cada vez mais competitivo, onde todos os detalhes fazem a diferença. Hoje em dia, o Nantes é de facto um clube atrativo.

Desde dezembro, o meu staff e eu trabalhámos sem parar para melhorar as condições de trabalho para o grupo profissional na Jonelière [centro de treinos]. Seguimos no dia a dia o trabalho da equipa de reservas e de todas as equipas de formação. Adaptámos os métodos de trabalho dos jovens para aperfeiçoar o caráter formativo do clube e para garantir cada vez mais recrutas internos para o clube no futuro. Tenho a certeza que o meu sucessor dará seguimento a este trabalho e um belo futuro ao clube.

Obrigado Nantes.»

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