Rui Falcão afirma que empresários de Benguela são muito pobres para corrompê-lo

De peito aberto, Rui Falcão, governador de Benguela a cerca duas semanas, enfrentou os empresários da província, num frente à frente de cerca de duas horas, realizado nesta terça-feira (27), na cidade capital província. 

Sem papas na língua, Rui Falcão cuidou logo de jogar limpo ao revelar que não é um governante empresário. Ainda assim, avisa que não aceita luvas por achar que a classe empresarial angolana ainda é muito pobre.

“Eu não vim aqui para me governar. 1º. porque não sou empresário. Tenho essa vantagem. 2º. Porque entendo que nosso empresariado é muito pobre para me dar seja o que for. Por não recebo nada de ninguém. Nesse domínio estejam à vontade nunca recebi, nem vou receber. Portanto aqueles que querem ter os seus projectos, façam a vossa parte, que nós governo vamos fazer a nossa”, sublinhou Rui Falcão.

Longe de tabus, o novo governador de Benguela assumiu o compromisso de estabelecer uma relação aberta com classe empresarial assente na honestidade e deixou um sério aviso aos seus coadjutores, bem como aos homens de negócio da província.

“Se algum membro do governo se puser a jeito, por favor denunciem. Vamos jogar em cima da mesa. Todos com as mesmas regras”, afirmou.

Olhando para o país, Rui Falcão não se inibiu em falar de algumas realidades. Uma delas tem a ver com a existência de carteis de mafiosos que comandam os negócios no país. Sem rodeio o governante colocou o dedo na ferida ao apontar a incompetência do executivo em lidar com essa realidade.

“ Nós muitas as vezes nos encontramos perante autênticos carteis. Mas esses carteis só existem porque nós somos incompetentes nessa matéria”, reconheceu o governador de Benguela.  

Assegurou que vai trabalhar à semelhança daquilo que fez no sector das pescas do Namibe, mas exigiu credibilidade dos projectos, de modo a facilitar os processos.

“Não sei governar sem diálogo, sem equipa, não sei governar no gabinete e meus colaboradores são responsáveis pelas áreas de que respondem, por isso disponham de mim sempre que possível, pois não sei esperar por audiências”, esclareceu o governador, insistindo na necessidade de união de pensamento e de acção.

Rui Falcão tranquilizou aos presentes, afirmando que vai conceder primazia ao empresariado local nos projectos do Estado e terá como preferência o binómio “custo/qualidade” na inclusão dos empresários aliando sempre o custo à qualidade.

Mesmo de peito de aberto Rui Falcão não quis abrir todo jogo. Num próximo encontro a ser realizado longe dos olhares da imprensa, o governador de Benguela promete lavar a roupa dos males que afectam a relação entre o governo de Benguela e a classe empresarial da província.

“Vou fazer outro encontro com o empresariado sem a imprensa para tratarmos defactos com questões que tem a ver com os problemas da sociedade de Benguela e que são problemas sérios que tem a ver com cada um de vocês, com as vossas e nossas famílias”, rematou no final do encontro de auscultação com a classe empresarial da província de Benguela.

 

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