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O “voto da casa de banho”, estrategicamente anunciado para não embaraçar Isaías Samakuva

A sessão plenária da Assembleia Nacional que ontem aprovou a Lei sobre o Estatuto dos Antigos Presidentes da República de Angola foi animada por um momento insólito, protagonizado pelo deputado Fernando Heitor “para não embaraçar” o presidente da UNITA, Isaías Samakuva.

Nos últimos tempos cada vez menos alinhado com as posições do seu partido, o deputado Fernando Heitor recorreu ontem a um engenho no
mínimo original para não desrespeitar a disciplina de voto da UNITA.
“Anuncio que vou à casa de banho”, declarou o político, demarcando-se do momento de votação da Lei sobre o Estatuto dos Antigos Presidentes
da República de Angola (http://www.novojornal.co.ao/artigo/79915/aprovado-regime-juridico-dos-ex-presidentes-e-vice-presidentes-darep-blica-apos-cessacao-de-mandato-?seccao=NJ_Poli),
contestada pela UNITA (http://www.novojornal.co.ao/artigo/79812/polemica-sobrepr-emerito-lei-retirada-do-proximo-debate-parlamentar-com-unita-a-acusar-mpla-de-apresentar-proposta-a-medida-de-jes).
Dirigindo-se ao presidente da Assembleia Nacional, Fernando Piedade Dias dos Santos, o deputado explicou que a ausência momentânea da
plenária serviria para “não embaraçar o presidente” do seu partido, Isaías Samakuva.
Fernando Heitor referiu mesmo que sem esse “truque”, teria de votar a favor da proposta do MPLA ou abster-se.
O insólito momento foi acompanhado de uma salva de risos, incluindo do próprio líder da Assembleia, que, entre risadas, aceitou o argumento.
“As necessidades fisiológicas não podem ser adiadas”, declarou Piedade dos Santos.
Antes de abandonar os trabalhos, Fernando Heitor teve ainda tempo para criticar os seus correligionários.
“Curiosamente, no debate a oposição não esteve presente, e aqueles que estiveram presentes não entraram a fundo nas questões”, lamentou o
também economista, sublinhando que os ausentes “perderam uma soberana oportunidade de se fazerem ouvir”.
“É nos debates que devemos vincar as nossas posições contrárias, e com base nisso sustentar ou fundamentar o nosso voto”, reforçou o deputado,
acrescentando que esteve “praticamente sozinho a defender o que estava errado e a dar contribuições”.

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