Mais motivos de insónia para o Ministro da Educação, Pinda Simão

Uma possível interrupção das aulas por parte dos professores do Bengo volta a colocar o ministro da Educação diante de mais um «fogo amigo». Tudo por culpa de incumprimentos das suas muitas promessas. E a «rebeldia monabata» pode voltar a ter efeito bola de neve…

Ao sair de casa, para onde quer que se desloque, Pinda Simão, o ministro da Educação, está terminantemente proibido de ignorar uma pequena mas importante peça de adorno: o lenço de bolso. Nesses tempos de muita pressão, ele precisará deste pedaço de tecido para secar os suores frios que os professores lhe têm provocado com um impiedoso cerco.

Nos últimos meses os professores, que se converteram em seus «inimigos figadais», parecem ter encontrado um mecanismo eficaz para tirá-lo do sério. Desta vez são os professores da província do Bengo que estão decididos a provocar-lhe insónias. Anunciaram para esta segunda-feira, 05, uma greve por tempo indeterminado para exigir do Ministério da Educação os pagamentos em atraso desde o ano passado.

Os «prof’s» decidiram partir para a paralisação por verem esgotadas todas as tentativas de entendimento com a representação local do Ministério da Educação. A direcção Provincial da Educação do Bengo, na pessoa de António Quino, vê-se de mãos atadas, sem saber o que dizer aos professores, por conta do silêncio tumular do titular da pasta, Pinda Simão.

E o pepino a descascar não é pequeno: são praticamente cerca de 2 mil professores que estão sem ver a cor do dinheiro desde Outubro de 2016. E, mais do que isso, apresentam-se visivelmente cansados com as promessas que recebem da direcção da Educação local, entretanto sem qualquer reflexo no bolso dos cidadãos.

Um dos compromissos assumidos pela direcção provincial do MED dava conta da possível liquidação dos «atrasados» até 21 de Abril. Mas, de lá para cá, nada mais se viu. E para complicar ainda mais as matemáticas, os sindicalistas viram-se ainda desprovidos da quota sindical e, ao mesmo tempo, contra a exoneração de 12 coordenadores de disciplina, compulsivamente demitidos por adesão às greves de Março e Abril últimos.

Nem mesmo a tentativa negocial por parte da direção de Educação do Bengo surtiu o efeito desejado por falta de consenso. Daí a decisão de paralisação das aulas em toda a província a partir da manhã desta segunda-feira, pelo menos ate que se resolvam as questões reivindicativas colocadas sobre a mesa.

Aliás, para mostrar a Pinda Simão que não está para brincadeiras, a classe docente local promoveu em Maio último (dia 13) uma marcha de protesto, exigindo, além do pagamento das dívidas, a demissão do actual director da Educação, tido mais como promotor de «acções de compadrio, intrigas, nepotismo e intimidações no sector que dirige», embora este tenha negado todas as acusações que sobre si impendem.

E defendeu-se, jurando a pés juntos estar em curso o pagamento das dívidas a mais de 2.000 professores referentes a 2007. É processo de regularização, segundo afirmou, que arrancou em Outubro de 2016, mas que se afigura moroso em função das variações salariais e do câmbio havidas.

Depois das duas greves interpoladas (entre 05 e 07 de Abril e depois a 25 de Abril), o ministro Pinda Simão tem motivos de sobra para requisitar doses significativas de «Xanax» para ao menos garantir um sono tranquilo, agora com mais esta «rebeldia» anunciada no Bengo.

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