Anuncia-se o fim da linha para Pinda Simão

Sinais dos tempos indicam que se aproxima o fim dos “milagres” para Pinda Simão. O Correio Angolense soube que o ministro da Educação, com um consulado longevo e bastante tortuoso nos últimos tempos, muito dificilmente sobreviverá à remodelação do Governo a sair das próximas eleições gerais, caso a vitória venha a sorrir aos “camaradas”

De nada terá servido ao ministro da Educação o exercício cosmético que foi a sua recente grande entrevista concedida à RNA, onde procurou, de todas as formas e feitios, apresentar os seus argumentos sobre as duas últimas greves dos professores, entretanto sem êxito.

Repleta de lugares-comuns, a verdade é que não funcionou a apressada estratégia que gizou para limpar a pálida imagem que deu ao longo de um consulado em que as pessoas esperavam, certamente, que fizesse mais do que o seu antecessor, António da Silva Burity, que também não deixou saudades.

O resultado não poderia ser outro para   Pinda Simão: sente-se-lhe agora falta de oxigénio para continuar no cadeirão que ocupa. Completamente fragilizado, revela-se incapaz de lidar com a pressão exercida pelos professores, pois o SinProf dobrou-lhe completamente os “bíceps”.

Image

Em condições normais, com todos os seus predicados académicos, o mais sensato seria que o actual ministro da Educação optasse por largar o cargo e se entregasse a outras ocupações que a vida proporciona a pessoas a necessitar de algum descanso. Poderia, com isso, evitar sair pela porta dos fundos, jogando por terra tudo aquilo que acumulou ao longo desses anos.

Ao invés de encontrar um meio-termo, o SinProf viu sempre um ministro indisponível para o diálogo aberto e que, mais do que congregar, procurou sempre demover os grevistas das suas reivindicações, na maioria das vezes com ameaças e outras posições «bélicas».

Pinda Simão revelou-se um mau pagador de promessas. Ofereceu aos professores uma mão cheia de nada, assobiando sempre para o lado e com as mãos no bolso face aos clamores dos sindicalistas. Acabaria, por isso, surpreendido com a segunda paralisação.

Os professores parecem ter dado a volta por cima e saíram mais reforçados com as greves promovidas. Conseguiram fazer ouvir as suas reivindicações e obrigar o Executivo a reconhecer que o caminho ideal passava por evitar andar à bastonada com os sindicalistas.

“As enxaquecas do ministro terão começado precisamente a partir do último pugilato que manteve com os professores. Mais a mais porque os ruídos das escaramuças foram escutados no Palácio da Cidade Alta, de onde acabaram por vir «ralhetes» a dar nota da necessidade de maior diálogo e a inversão do quadro.”

As enxaquecas do ministro terão começado precisamente a partir do último pugilato que manteve com os professores. Mais a mais porque os seus ruídos foram escutados no Palácio da Cidade Alta, de onde acabaram por vir «ralhetes» a dar nota da necessidade de maior diálogo e a inversão do quadro.

Eleitoralista ou não, a recente posição presidencial de promoção das carreiras no funcionalismo público é sintomático de que os professores somaram valiosos pontos na peleja com o ministro.

Para quem até então julgava ter a razão do seu lado viu-se subitamente isolado. Orgulhosamente só, o titular da Educação ainda procurou por todos os meios corrigir a direcção do tiro, mas era tarde e muito má hora, sobretudo num cenário político-social-financeiro que recomenda acautelar danos colaterais resultantes de posições duras.

Aliás, a reunião recente entre o vice-presidente da República e os membros do Conselho Nacional de Concertação Social visou, acima de tudo, trazer alguma luz no jogo do gato e do rato que se assistia entre o «Professor Simão» e os sindicalistas.

Os professores, por um lado, exigem apenas aumentos salariais, vários subsídios e a melhoria das condições degradantes em que trabalham. Pinda Simão, que curiosamente já foi professor, ignorou este grito de desespero.

Só que contra a corrente do jogo foi ele que acabou por sair com visíveis hematomas. Foi literalmente vergado pelo SinProf que, em função das duas greves, começou a ver a andar alguns assuntos até então encalhados.

Há já alguns dias que se assiste em todo o país a implementação dos acordos assinados entre o Executivo, representado pelo Ministério da Educação, e o Sindicato dos Professores. Iniciou-se, por exemplo, a recepção dos documentos para questões relacionadas com o subsídio de diuturnidade para todos os professores com mais de cinco anos de serviço, passagem do regime probatório para o definitivo e a actualização de categorias em função das vagas disponíveis.

Foi um pouco este o motivo da «guerra surda» movida pelo ministro da Educação contra os professores, originando as duas paralisações-relâmpagos de Março e Abril último, que teriam sido evitadas se Pinda Simão não se revelasse tão casmurro. Parecia que tinha razão, o homem…

Cabisbaixo, vê-se agora obrigado a lidar com o sindicato olhos nos olhos, quando até muito recentemente, pelos vistos, os professores mais lhe pareciam uns reles leprosos. Agora, é ele quem praticamente andará atrás dos tais “leprosos” para o pagamento das dívidas contraídas com os mesmos e a obrigação de reenquadrar aqueles docentes que, de forma truculenta, foram exonerados por adesão à greve.

CORREIO ANGOLENSE

você pode gostar também

Loading...

Com um gosto você fica por dentro de tudo