Mais de cem crianças morrem de má nutrição em Benguela

Cento e 14 crianças, dos seis aos cinco anos de idade, morreram de malnutrição grave, de Janeiro a Abril deste ano, na província de Benguela, contra os 129 do mesmo período do ano passado, informou, quinta-feira, a supervisora Programa de Subnutrição, Flora Vanda.

Em entrevista a Angop, Flora Vanda afirmou que a maior percentagem dos óbitos deveu-se a chegada tárdia dos pacientes aos serviços de saúde ou as unidades especiais, situação agravada pela falta de produtos terapêuticos, como o leite F75 e F100 e o Plumply-nut, utlizado na última fase do tratamento, normalmente associado a alimentos.

Segundo a responsável, as mortes por má nutrição estão ainda associadas a outras patologias, como a sida, malária e a tuberculose.

Referiu que o número de óbitos poderá aumentar nos próximos tempos, por se constatar o surgimento de elevados casos de internamento com patologias oportunistas, que após longo tratamento, agravada pelo desmame precoce e alimentação inadequada, caem na desnutrição, uma vez que as suas progenitoras ignoram na primeira instancia os serviços de saúde especializados.

A título de exemplo, apontou o caso do internamento de 12 crianças com VIH/Sida/tuberculose, nascidas de mães seropositivas, mas que não deviam contrair tal patologia, mas devido ao estigma e a descriminação, as mães evitam os serviços de puericultura e de prevenção de transmissão vertical, recorrendo aos serviços já em fase terminal, factores que podem resultar em mortes.

Adiantou que na generalidade, o Programa Provincial de Subnutrição atendeu no período em análise, 4.488 crianças menores de cinco anos com má nutrição severa,  das quais 953 permaneceram internadas nas unidades especiais com má nutrição grave, cujas causas estão ligadas ao deficiente saneamento básico, o desmame precoce inadequado e aos maus hábitos alimentar.

Sublinhou que, comparativamente no mesmo período do ano anterior, o programa atendeu 3.448 casos de subnutrição sem complicações, deste numero 380 com má nutrição grave que resultou em 129 óbitos, situação complicada pela epidemia da febre-amarela.

Afirmou que o programa supervisiona 74 centros e seis unidades especializados de subnutrição, localizados nos municípios do Balombo, Bocoio, Catumbela, Benguela, Cubal e Ganda, com destaque para a do Cubal, adstrita a Igreja Católica, pelo facto de atender  maior número de pacientes provenientes de várias províncias do país.

Conforme disse, para melhorar o estado nutricional de crianças nesta circunscrição, o Programa conta com a cooperação da Organização Não-Governamental americana, “JAM” (Joint Aid Management) e a Visão Mundial Internacional com a distribuição de forma irregular de produtos terapêuticos, designadamente como o Plumply-nut e o leite F100.

Flora Vanda reafirmou o compromisso do programa intensificar as campanhas de educação e sensibilização nas igrejas e comunidades, centros de saúde e mercados informais, visando despertar a consciência de maior número de cidadãos.

 Recordou que a desnutrição é uma doença causada por alimentação inapropriada, sem nutrientes essenciais. Quando ocorre na gravidez provoca o desenvolvimento fetal deficiente.

Considerou que até aos seis meses, é imprescindível o aleitamento materno por fornecer todos os nutrientes importantes para o recém-nascido, além dos anti corpos e outras substâncias fundamentais para a sua formação e crescimento, sendo a alimentação um desiderato essencial nessa etapa, sublinhou.

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