Entusiasmo e queixas de indicadores de crise de mãos dadas nos 400 anos de Benguela

Algumas actividades, como é o caso da Feira Internacional de Benguela (FIB), ajudam a disfarçar o cenário desolador.

A cidade de Benguela celebra nesta quarta-feira, 17, 400 anos de existência mergulhada num mar de dificuldades nunca visto em tempo de paz, em relação ao qual sobressaem o lixo, insuficiências na oferta de luz e água e o péssimo estado das estradas.

Algumas actividades, como é o caso da Feira Internacional de Benguela (FIB), ajudam a disfarçar o cenário desolador.

A ‘’cidade mãe de cidades’’ foi fundada em 1617 por Manuel Cerveira Pereira.

Com cerca de 100 expositores, representando os sectores do comércio, indústria, agropecuária e serviços, a sétima edição da FIB corre em direcção ao relançamento da economia num importante pólo de investimento do país.

São apenas perspectivas da organização, o grupo Arena Eventos, e nada mais.

A realidade é a da Benguela cheia de lixo, à espera da entrada em cena de uma operadora de recolha, com dificuldades na oferta de luz e estradas esburacadas.

Pior do que os focos de resíduos, diz o presidente da Associação dos Jovens Defensores do Ambiente, Martins Domingos, é a inexistência de um aterro sanitário, quase 10 anos após promessas atrás de promessas.

“O que temos são lixeiras (controladas), verdadeiros centros de contaminação, o que não é bom. O lixo é tratado como tal, como lixo, não como um resíduo que pode ser reutilizado. É preciso muito cuidado porque as lixeiras danificam a saúde pública’’, lamenta Domingos.

Da apreciação de um jovem ao olhar de um graúdo, encontramos a esperança no sorriso do pesquisador Joaquim Grilo.

“Benguela devia ter tudo do melhor, seria ‘ouro sobre azul’. Oxalá tenhamos no próximo ano uma Benguela seja limpa, iluminada e com bastante e jardins’’, refere o pesquisador.

Perante as evidências, o administrador municipal, Leopoldo Muhongo, pensa em dias melhores.

“Há limitações financeiras. Existem obras locais, outras a cargo dos governos provinciais e outras que dependem de Luanda. Para Benguela, falamos de obras que não cabem nos nossos orçamentos, tal como a construção de redes técnicas. Falamos também de construção de estradas, não de operações de tapa-buracos’’, justifica o administrador.

Benguela, a aniversariante do mês de Maio, é uma das quatro cidades que alimentam o sonho da região metropolitana, com auto-estradas e outras estruturas.

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