Empresas chinesas acusadas de tortura e maus-tratos em Benguela

Posted on Dezembro 29, 2016, 10:21 am
FavoriteLoadingAdd to favorites 3 mins

Sindicato da Construção e Habitação denunciou casos às autoridades, mas Inspecção Geral do Trabalho diz desconhecer situações concretas.

Empresas chinesas de construção que actuam em Benguela são acusadas de tortura no local de trabalho, abolição de férias e uma péssima remuneração, muito aquém do salário

O Governo olha para as linhas de crédito da China como uma boa alternativa à crise, mas o Sindicato da Construção emite sinais de preocupação face às condições do trabalhador angolano.

Há quem já fale de escravatura com a marca do ‘‘gigante asiático’’.

Melhor do que a denúncia do Sindicato da Construção e Habitação, apresentada já ao Ministério do Trabalho, são depoimentos de quem convive com a realidade.

Um funcionário de uma empresa pública que conta com a parceria de chineses revelou à VOA várias das injustiças laborais que conformam o drama de jovens angolanos.

Um fardo pesado para quem não sabe o que é conjugar o verbo descansar

“Eles não têm sentido de humanismo, já que dão trabalho forçado sem remuneração condigna. Os trabalhadores angolanos não têm descanso, trabalham de segunda a segunda. Muitos, que saem de outras províncias, morrem em estaleiros destas empresas, sem assistência’’, denuncia a mesma fonte.

Como se não bastasse o conjunto de violações de direitos, o cidadão nacional é submetido a torturas sempre que, por um ou outro motivo, defrauda a expectativa do empregador

“Na sequência de um suposto desentendimento, um chinês agrediu um angolano com uma pá. Foram várias vezes, tendo o rapaz caído. Tivemos de intervir, chamando a Polícia, que depois levou o chinês a uma esquadra para aconselhamento’’, conta.

Nada que não seja do conhecimento das autoridades angolanas, a acreditar nas nossas fontes.

O secretário-geral do Sindicato da Construção e Habitação, Albano Caley, promete continuar a defender os seus filiados.

Afinal, a remuneração é de 8 mil kwanzas, metade do salário mínimo em vigor.

Caley diz que “há, efectivamente, muitos maus-tratos nas empresas chinesas”.

“A isto podemos acrescentar a falta de equipamentos de protecção e a má alimentação, mas vamos continuar a denunciar, apesar de termos já feito vários informes ao Governo’’, sublinha secretário-geral do Sindicato da Construção e Habitação.

Consultada pela VOA, a Inspecção Geral do Trabalho, o organismo governamental que vela por direitos e deveres de empregados e empregadores, diz não ter conhecimento de situações concretas.

Deixe seu comentario