Hospital Geral de Benguela a caminho da privatização

As autoridades locais querem privatizar o laboratório de análises clínicas do Hospital Geral de Benguela. A medida está a ser fortemente contestada, já que os preços das consultas poderão aumentar significativamente.

O corpo clínico deste hospital público de referência na região centro e sul do país defende que caso a privatização venha a acontecer, os preços das consultas poderão aumentar significativamente, o que poderá estimular o número de mortes que ocorrem nos hospitais públicos. Muitos cidadãos não têm meios para pagar os custos dos tratamentos.

Por exemplo, a consulta de uma análise de malária, que atualmente custa dois dólares, passará a custar quase 10 dólares, num país em que a maior parte da população vive com menos de dois dólares por dia.

 

Numa recente reunião alargada, onde participou o diretor provincial da Saúde, Bernabé Lemos, a direcção do Hospital Geral de Benguela (HGB), rejeitou o contrato vindo do governo provincial.

Os profissionais da saúde dizem que está em causa a salvaguarda do sistema público de saúde protegido constitucionalmente. Fonte do hospital, que pediu para não ser identificada, afirmou que caso venha a ser efectivado o contrato em causa muita gente poderá morrer por falta de condições de arcar com os custos dos tratamentos.

*DW

Vantagens para quem?

Contactado pela DW, o diretor provincial da Saúde em Benguela, Bernabé Lemos, recusou-se a falar sobre o assunto. Mas numa curta entrevista concedida à Rádio Ecclésia falou de um contrato que poderá trazer vantagens para o hospital e a população em geral. “Estão (a direcção do Hospital) a analisar o documento e para assinar o hospital tem de ter vantagens. Não é bem privatizar, a ideia é terciarizar serviços”, explicou.

Privatização hospitalar implica mais custos para os angolanos

Um grupo de mais de 50 profissionais de saúde, incluindo responsáveis do Hospital Geral de Benguela, prepara-se para enviar um abaixo-assinado ao governador de Benguela, Isaac Maria dos Anjos, contestando qualquer medida que vise privatizar o laboratório de análises.

A Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE) já reagiu ao caso. “Estamos solidários com os médicos para, mais uma vez, inviabilizar a incursão do governador”, disse o secretário provincial da segunda força política da oposição, Francisco Viena, que não poupa críticas a Isaac dos Anjos.

“A saúde é um direito que merece a protecção do Estado. Se o governador está preocupado com lucros penso que está contra a saúde dos cidadãos”, declarou. “Como o governador, a sua família, não é submetida aos serviços públicos da província, recorrem aos serviços públicos lá fora, então, para eles, o objetivo é certamente buscar lucros”, concluiu o secretário da CASA-CE.

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