Os sucessores falhados de José Eduardo do Santos

Posted on Dezembro 02, 2016, 9:40 pm
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A indicação de João Lourenço como candidato presidencial do MPLA, isso significará o afastamento de vários pretendentes ao cargo. A saber:[separator]

  • Manuel Vicente, 60 anos. O outrora todo-o-poderoso presidente da Sonangol (cargo que ocupou entre 1999 e 2012) era visto desde há vários anos como o sucessor natural de ‘Zedu’ desde que saiu da petrolífera para o posto de ministro de Estado e da Coordenação Económica e, principalmente, desde que concorreu às eleições de 2012 como n.º2 da lista do MPLA e assumiu de seguida a vice-Presidência da República. Acabou por cair em desgraça depois de ter sido dado como suspeito e mais tarde constituído arguido por suspeitas de corrupção ativa de um procurador português (Orlando Figueira) do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP). Figueira terá recebido cerca de 630 mil euros para arquivar um inquérito que visava Vicente por suspeitas de fraude fiscal e branqueamento de capitais. O facto de Manuel Vicente ter sido constituído arguido em Luanda a pedido das autoridades portuguesas, e a forma como o governo de Eduardo dos Santos não defendeu o seu n.º 2, já deixava claro que Vicente era uma carta fora do baralho da sucessão.
  • Isabel dos Santos, 43 anos. Apresentada como uma empresária de sucesso, com importantes investimentos em Portugal (participações relevantes no BPI, NOS, entre outras sociedades), a filha mais velha de Eduardo dos Santos tomou posse em junho como presidente do conselho de administração da Sonangol. Logo aí, ficou claro que não sucederia ao seu pai. Sinal reforçado esta quinta-feira (no mesmo dia em que o MPLA desmentia um alegado agravamento do estado de saúde de José Eduardo dos Santos) quando promoveu uma conferência de imprensa para anunciar uma reestruturação urgente da empresa no valor de de 1.569 milhões de dólares (1.476 milhões de euros). O que significa que a sua prioridade imediata é a Sonangol. Isabel dos Santos, contudo, será sempre um nome a ter em consideração num contexto em que o sucessor do seu pai não tenha sucesso. Para isso, contudo, terá de conhecer melhor o MPLA — partido do qual ainda não faz parte do Comité Central.
  • José Filomeno dos Santos, 38 anos. Ao contrário da sua irmã Isabel, ‘Zenu’ entrou este verão para o Comité Central do MPLA, proposto pela organização da juventude. Tem sob a sua gestão desde 2013 mais de cinco mil milhões de euros em ativos do Fundo de Soberano de Angola. Além da sua juventude ser um claro defeito numa sociedade onde ser o ‘mais velho’ é um posto de respeito social, o facto do Fundo de Soberano ter estado envolvido em algumas polémicas não agradou às forças mais conservadoras do MPLA. Recorde-se que a gestão de José Filomeno no Fundo Soberano foi visada pela investigação dos Panama Papers. A investigação do consórcio internacional de jornalistas acusou a entidade gerida pelo filho de Eduardo dos Santos de promover um alegado esquema de branqueamento de capitais em conjunto com um banco angolano chamado Kwanza que será gerido por quadros suíços próximos de José Filomeno. Acusações que foram desmentidas pelo Fundo Soberano.

Resta saber o que também acontecerá a outras figuras, como <strong>Carlos Feijó, 53 anos. Ex-ministro de Estado e chefe da Casa Civil de José Eduardo dos Santos entre 2004 e 2012, o jurista poderá ter um papel importante a desempenhar num futuro governo.

Além dos nomes, o cerne da questão para o MPLA será sempre como combater a crise económica iniciada em 2015 quando o preço do petróleo ficou abaixo dos 50 dólares o barril. As dificuldades provocadas pela crise, e as gritantes desigualdades sociais e económicas sentidas pela sociedade angolana, estão na origem da crescente impopularidade do governo liderado por José Eduardo dos Santos.

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Redacção Central

5 Responses to: Os sucessores falhados de José Eduardo do Santos

  1. Dezembro 22nd, 2016

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    By the way, how could we communicate?