Enteado de Manuel Vicente é testa-de-ferro em “offshores”

Posted on Abril 23, 2016, 1:56 am
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O enteado do vice-presidente Manuel Vicente, Mirco de Jesus Martins, é citado nos Papéis do Panamá como tendo a função de testa-de-ferro em várias empresas offshoreconstituídas nas Ilhas Virgens Britânicas ligados a importantes figuras da política angolana.[separator]

Segundo o texto da Rede Africana de Centros de Jornalismo de Investigação (ANCIR, na sigla em inglês),Martins tem a tarefa de esconder as verdadeiras identidades dos beneficiários das offshores, o que garantiu de tal forma que nem a Mossack Fonseca tinha dados sobre essas figuras.

“Políticos com altos cargos não foram ingénuos ao ponto de usarem os seus próprios nomes”, escreve a ANCIR. “Foram criadas estruturas organizacionais complexas para manter as acções na posse de outras pessoas – ou testas-de-ferro – de outras empresas de fachada que eram geridas por uma série de fiduciários.”

É por isso que, para encontrar os indícios que apontam para a participação de altas figuras da política angolana nessas empresas do paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, seja preciso procurar de outra maneira. Por exemplo, a 18 de Janeiro de 2001 a Mossack Fonseca no Luxemburgo enviou um email ao seu gabinete virginense em que fala de empresas de fachada angolanas: Sicas, Ka Lumba, Shaman e Halifax.

“Há políticos envolvidos nesta estrutura e o nosso contacto na KPMG informou-nos de que seria melhor para nós abandonarmos estas empresas por causa do risco”, lê-se no email, citado pela ANCIR.

Mirco de Jesus Martins é alvo de cartas da Agência de Investigação Financeira nas Ilhas Virgens Britânicas sobre empresas em que surge como o último beneficiário, entre as quais Shaman, Rolika, Heli-Vest e Halifax. Algumas das instituições foram criadas com apenas USD 300 e rapidamente foram extintas, indicando que teriam existido para esconder contas bancárias e acções de outras empresas.

Na tentativa de saber quais os reais proprietários das empresas em que Martins surgia como último beneficiário, a Mossack Fonseca teve de pedir ajuda a outros agentes para criar empresas de fachada, uma delas a Interfina. Esta última é referido num documento de 2013 como gestora de 15 instituições, entre elas a Halifax, General Corporate, Farvel e Kumar – que existiam para deter contas bancárias no Líbano, Portugal, Gibraltar e Suíça. As outras cinco – como a Shaman e Sicas – têm acções portuguesas e em duas empresas ligadas à aviação que se identificam como de compra e consultoria.

Para garantir a manutenção das suas actividades nas Ilhas Virgens Britânicas, Martins admitiu à Mossack Fonseca já não ter qualquer ligação com entidades financeiras angolanas como o Banco Kwanza. Confirmou ainda que teve acções da Sakus, uma empresa-fantasma que possuía 3,6 por cento do capital do Banco de Investimento Africano (BAI) de Angola, o mesmo que chegou a ser investigado por um comité do Senado dos Estados Unidos e pelo HSBC porque 40 por cento das acções eram detidas por figuras políticas, incluindo Manuel Vicente.

O grupo de jornalistas responsável pelo continente africano na fuga de informação da Mossack Fonseca teve acesso a mais de mil documentos referentes apenas a Angola. Ontem, o Rede Angola publicou uma notícia sobre a relação da Sonangol e Manuel Vicente nestas investigações. Leia aqui.

E veja outras notícias sobre os Papéis do Panamá.

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4 Responses to: Enteado de Manuel Vicente é testa-de-ferro em “offshores”

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