Cervejeiras nacionais em crise. Cuca, Nocal e Eka paralisam linhas de enchimento

Posted on Janeiro 02, 2016, 9:04 am
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As fábricas de cerveja Cuca, Eka, Nocal e Soba Catumbela paralisaram as suas linhas de enchimento nos últimos três meses por falta de matéria-prima, de divisas e baixas vendas. O administrador delegado do Grupo Castle, Phillipe Frederic disse em entrevista a OPAÍS que a morosidade nas transações bancárias e a escassez de divisas no mercado formal e informal para a aquisição dos “ingredientes” para o processo de produção são determinantes para a situação.

De acordo com o gestor, o facto deve-se a escassez de divisas nos bancos comerciais, bem como à morosidade nas transações que levam entre 8 a 10 dias para se concretizar.

Em causa está ainda o facto de o país não produzir em grande escala estes produtos para fornecer às indústrias do sector.

Neste momento, segundo adiantou, as fábricas estão a funcionar na ordem dos 65% das capacidades instaladas.

Esta situação deve-se à baixa registada nas vendas constatadas nos últimos seis meses, tendo em conta a crise vivida no país que levou a que os consumidores reduzissem o poder de compra. “Face a esta situação decidimos paralisar algumas linhas de enchimento das unidades fabris”, frisou. Segundo Philippe Frederic, o consumo da cerveja reduziu entre os 35% a 40% que representa um total de dois milhões e meio de mililitros de cerveja produzidos desde Julho deste ano.

Assim sendo, referiu que a cervejeira Cuca está a funcionar com três das quatro linhas de enchimento, a Eka com uma das duas que possui, a Nocal com uma das três, estando na mesma situação a Soba Catumbela, em Benguela. Por outro lado, o administrador delegado do Grupo Castle apontou a desvalorização do kwanza como causa do aumento dos preços da Cerveja a nível do mercado nacional. Segundo acrescentou, tendo em conta o facto de grande parte da matéria-prima ser paga em divisas a empresa foi obrigada a aumentar o preço da cerveja para fazer face a situação e evitar perdas excessivas.

“O incremento registado no mês de Setembro, relativamente ao imposto de consumo que passou de 20% para 60%, é um montante que dificilmente podermos suportar tendo em conta o momento de crise que vivemos. Para o efeito estamos a negociar com o Executivo de formas a revisar este decreto, e que o seu aumento seja moderado”, frisou. Philippe Frederic informou igualmente que durante os últimos sete anos o Grupo Castle investiu mais de USD mil milhões para a modernização das fábricas da Cuca, Eka e Nocal, montagem de quatro novas linhas de produção no Bom Jesus (Cubeje), com uma capacidade de produção de 50 mil garrafas por hora e a unidade de produção da Funda e a construção de outra na província do Huambo.

Philippe Frederic defendeu ainda a necessidade de se reduzir as importações de bebidas como cerveja, sumos e refrigerantes, além de outros que podem ser produzidos ao nível local.

Para o gestor do grupo Castle Angola, hoje em dia o país não tem necessidade de importar bebidas, tendo em conta o número de fábricas existentes no país, com capacidade de produzir todo o tipo de bebidas como a cerveja, águas, sumos entre outras. “O país possui grandes potencialidades para indústrias deste género e tem qualidades para ser exportador”, salientou.

O grupo Castle prevê ainda investir nos próximos anos na produção de milho à nível local com vista a reduzir o impacto da crise, uma vez que necessita de 50 mil toneladas por ano para produzir a cerveja. Proprietária das marcas Cuca, Eka, Nocal e Ngola, o grupo Castle em Angola está representado em cinco províncias das 18 do país e emprega mais 14 mil funcionários, dos quais 90 % são nacionais.

A história da Cuca (Companhia Unificadora de Cervejas de Angola) remonta a Abril de 1952, altura em que era inaugurada a fábrica em Luanda, como resultado de uma parceria entre a Sociedade Central de Cervejas – Centralcer e CUFP – “Companhia União Fabril Portuense”. Na sequência da independência, a cervejeira sofreu inúmeras transformações. Em Angola, a Cuca é produzida pela Sociedade de Bebidas de Angola.

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